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Rio-Chuí

Rio-Chuí - Prólogo

(postado em 20/02/08 às 15:16)

Chuí, 23 de janeiro de 2008. Fim de linha para os três desocupados que encontraram motivos para ir de bicicleta do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ao Marco Zero do Brasil, na fronteira com o Uruguai […]

Rio-Chuí - 1º dia

(postado em 22/02/08 às 16:22)

Então ficou acertado assim: partiríamos do cartão postal mais famoso. A estátua do Cristo, lá em cima, representaria ao mesmo tempo a cidade primeira e as bênçãos de Deus […]

Rio-Chuí - 2º dia

(postado em 06/03/08 às 11:21)

Ninguém quer incomodar tios hospitaleiros que abrigam ciclistas em trânsito, não é verdade? O correto, portanto, seria acordarmos bem cedo e, em absoluto silêncio e sem café-da-manhã, darmos rapidamente no pé. E foi o que fizemos, exceto pelo silêncio, pelo cedo e pelo rapidamente […]

Rio-Chuí - 3º dia

(postado em 20/03/08 às 20:18)

Pior do que a gente, só quem dormiu foram as bicicletas. A garagem, como de costume, era um depósito de quinquilharias. Fora do costume é haver, entre as quinquilharias, tantas lonas empoeiradas, restos de tijolos, sacos de batata, relógios quebrados, carrinhos-de-mão sem roda e cadáveres de ventilador. Espeluncão […]

Rio-Chuí - 4º dia

(postado em 14/04/08 às 21:35)

Fininho é o pior apelido que já puseram em alguém. O homem é forte como um urso, e come e dorme como um. Explique-se: sua voz é que era fina, em moleque, daí o apelido. Eis o Sr. Carlos Fininho César, o sujeito que comeu sozinho um pote de sorvete, daqueles de 2 litros, no café-da-manhã! Detalhe: como não tínhamos colher, o indivíduo — fino como um lorde inglês das cavernas — usou a própria tampa do pote de sorvete […]

Rio-Chuí - 5º dia

(postado em 14/05/08 às 20:23)

E no quinto dia o mar se foi. Adeus, litoral. Adeus brisa fresca, horizonte azul, ilhas, gaivotas. A cobra agora vai fumar […]

Rio-Chuí - 6º dia

(postado em 08/07/08 às 22:00)

Diazinho que já começou errado. E ia continuar assim. Não apenas teríamos pela frente todos os caminhões da Terra e buracos da Lua, como também viveríamos um sumiço impensável, uma serra insana, uma briga-com-namorada, um câmbio quebrado, uma chave de corrente emperrada, 20 Km de descida em paralelepípedos, um GPS fujão e — finalmente! — os negros braços da noite engolindo-nos na estrada […]

Rio-Chuí - 7° dia

(postado em 06/08/08 às 20:06)

Engraçado escrever o relato mais de meio ano depois do fato. Não que haja regra, contrato, prazo, pai na forca ou qualquer pressão por parte de meus leitores (os três são muito compreensivos); temos todo o tempo do mundo, e nada há que venha imiscuir-se no livre fluxo das reminiscências deste projeto de ciclista-escritor. Engraçada — de peculiar, não de haha — é a percepção de não terem os meses passados alterado a nitidez ou apagado os detalhes das tantas lembranças, que, ainda absolutamente cristalinas, fazem a manhã daquele 11 de janeiro parecer tão recente quanto a manhã mesma de hoje […]