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	<title>cronicasdebicicleta.com &#187; Viagens curtas</title>
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	<description>por Vinícius Gusmão Pereira de Sá</description>
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		<title>Rio-Resende</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 01:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vigusmao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cicloturismo]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens curtas]]></category>

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		<description><![CDATA[Seria, pois, o último feriado do ano, pelo menos para efeitos práticos. Não se pode deixar passar o último feriado do ano sem um bom pedal [...]
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Seria, pois, o último feriado do ano, pelo menos para efeitos práticos. Não se pode deixar passar o último feriado do ano sem um bom pedal.</p>
<p>Há um amigo meu &#8212; de nome Rodrigo, ou João, ou Marcelo, não importa &#8212; que começou a pedalar há três semanas. Seguindo o lema &#8220;se é pra fazer, é pra fazer direito&#8221;, comprou uma <em>speedzinha</em> Trek que é uma beleza, devorou cada grão de informação ciclística que lhe caiu nas mãos e pôs-se a treinar, sem tempo ruim. Prova disso é que não rebarbou em ocasião alguma que eu o tenha convidado para um rolê. Por rolê entendam-se estirões de 40 Km no meio de trânsito pesado e subidas como <a href="http://www.cronicasdebicicleta.com/corcovado-info">Corcovado<a>, <a href="http://www.cronicasdebicicleta.com/sumare-info">Sumaré</a>, <a href="http://www.cronicasdebicicleta.com/joa_saoconrado-info">Joá</a> e <a href="http://www.cronicasdebicicleta.com/mesa-info">Mesa do Imperador</a>, inclusive debaixo de chuva. É verdade que o doido já corria e nadava, passando longe do sedentarismo; mas pedalar, que é bom, nada.</p>
<p>O estalo para comprar toda a indispensável cicloparafernália e começar a ser feliz veio da prova de triatlo de que <em>eu</em> participaria. Seria minha primeira prova desse tipo, apenas uma despretensiosa curtição, mas a perspectiva de ter um amigo triatleta &#8212; sem sê-lo também! &#8212; era inadmissível para o pilhabilíssimo André: inscreveu-se para a prova antes de mim, sem nem ter comprado ainda a bicicleta. </p>
<p>Bem, o triatlo acabou de fato acontecendo e, embora nossos tempos no ciclismo não tenham acompanhado a quase absoluta igualdade que experimentamos na natação e na corrida, deu pra sentir que, sobre as duas rodas, meu amigo tinha talento. E estava levando a sério.</p>
<p>Resolvi testar aquela empolgação toda.</p>
<p>&#8211; E aí, vambora pedalar até Itatiaia no feriadão?<br />
&#8211; [Sem pestanejar] Bora, pô!</p>
<p>Ele estava falando sério, iria <em>mesmo</em> comigo.</p>
<p>A idéia de pedalar os 175 Km do Rio de Janeiro até Itatiaia secundou, na verdade, a combinação de repetirmos a <a href="http://www.cronicasdebicicleta.com/mtb/agulhas-negras">expedição à base das Agulhas Negras</a> que realizamos, em agosto passado, eu e amigos muito queridos do <a href="http://www.pedal.com.br/forum/default.asp">fórum do Pedal.com.br</a>. O ponto de partida seria novamente a Garganta do Registro, na divisa Rio-Minas, distante de Itatiaia apenas uns poucos quilômetros. A data seria a sexta-feira 23/05, dia enforcado, naturalmente, por espremer-se entre uma quinta feriada (Corpus Christi) e um sábado. Para não ficar em casa criando limo, nada mais justo do que aproveitar a própria quinta-feira para ir pedalando até lá. Só não acreditava que o calouro Gilberto fosse mesmo comigo.</p>
<p>Fato número um: eu iria de <em>mountain bike</em>, pois precisaria dela para a trilha de sexta-feira; o Henrique, ao contrário, iria em sua <em>speed</em> Trek raivosa. Dois: eu carregaria bagagem para passar quatro dias longe de casa, fora pneus cravudos para substituir, na trilha, os <em>slick</em> que usaria no asfalto; já o Leôncio iria leve como uma pluma, pois retornaria de ônibus no mesmo dia. Fato três: havia séculos que eu não andava de <em>mountain bike</em>, ao passo que o Anacleto&#8230; isso mesmo, leitor profético, não precisa muito dom divino para adivinhar que estou apenas apresentando todas as possíveis desculpas esfarrapadas para justificar que&#8230; comi poeira.</p>
<p>Ou quase isso. Mas <em>bem</em> quase. O cara está pedalando muito. E já nem cai mais por causa do <em>clip</em>. Juro que eu teria ido mais devagar, em vários trechos, se não fosse por tê-lo puxando o ritmo, à frente. E, no finalzinho da subida das Araras, eu sobrei <em>mesmo</em>, miseravelmente.</p>
<p>Mas vamos à história. Depois de todo o preparativo, na quarta-feira à noite, que envolveu a troca de pneus e a adaptação de um bagageiro à base de alicate e força bruta para caber na <em>mountain bike</em>, dormimos umas poucas horas e partimos.</p>
<p>Caminhos alternativos &#8212; que, por ser feriado, estavam bem tranqüilos &#8212; abreviaram nossa distância à Rodovia Presidente Dutra por entre bairros de baixa renda e de humor inversamente proporcional ao PIB. Foi quando ouvimos um sujeito gritar, na calçada, para uma senhoura passante: &#8220;Ô bolota murcha! Bo-lo-ta muuur-chaaa!&#8221; O jeito com que cada uma das sílabas foi pronunciada foi tão pitoresco, tão engraçado, algo assim meio cantado, meio vendedor-de-sorvete-na-praia, sabe?, que não saiu de nossas cabeças. Durante toda a viagem, para quebrar o silêncio, berrávamos, naquela mesma melodia: &#8220;Ô bolota murcha!&#8221; O outro respondia: &#8220;Bo-lo-ta muuur-chaaa!&#8221;</p>
<p>Nada disso pôde, no entanto, distrair-me do cansaço que a bicicleta me impunha. Houve momentos em que a sensação era a de estar pedalando um armário embutido. Tanto que, nas duas vezes em que paramos à beira da estrada para comer, cheguei a me deitar no chão para dar uma recuperada. E o Bolota Murcha lá, firme e forte.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/2525635045/" title="DSCF4106 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2222/2525635045_52ea63247f.jpg" width="500" height="198" alt="DSCF4106" title="Clique para ir para a página da foto!"/></a><br />
O Bolota Murcha, 5 minutos antes do primeiro pneu furado de sua vida</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/2525635491/" title="DSCF4108 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2062/2525635491_7ebb277d56.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF4108" title="Clique para ir para a página da foto!"/></a><br />
Meu armário embutido e o rio Guandu</p>
<p>Mas os quilômetros foram passando e, quando vimos, já tínhamos mais de cento e cinqüenta deles no Cat-Eye. Estávamos quase chegando. Num posto de gasolina, porém, fomos informados de que não haveria ônibus de Itatiaia para o Rio; era, portanto, mais recomendável que parássemos 13 Km antes de Itatiaia, em Resende, onde meu amigo Leocádio encontraria ônibus que o levasse de volta para casa. Além disso, estava já escurecendo; era bom que parássemos, mesmo.</p>
<p>Ainda houve um trechinho de estrada sem acostamento, devido a obras, em que meu perigômetro experiente acusou nível 8 (nível 10 é descer montanha abaixo de <em>speed</em> numa estrada de terra &#8212; e sem freios). Esperamos o melhor momento para agredirmos a pista (era um trecho bem curto, uns quatrocentos ou quinhentos metros sobre uma ponte) e pedalamos com tudo. Sobrevivemos, e foi divertido. Por uns instantes, todo o meu cansaço tinha desaparecido.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/2525637463/" title="DSCF4124 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2132/2525637463_f98123f24a_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF4124" title="Clique para ir para a página da foto!"/></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/2526457364/" title="DSCF4130 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3026/2526457364_286a834aea_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF4130" title="Clique para ir para a página da foto!"/></a><br />
Trechinho complicado da estrada, já quase em Resende</p>
<p>Em Resende, encontramos hotel sem grandes problemas. Problemas tivemos na hora de fazer o <em>check in</em>. Eu, apressadíssimo em ir logo para o quarto e ficar uns minutos na posição horizontal, fui logo preenchendo a ficha com meus dados. Faltaram os dados do meu amigo. (Pois sim, acabou que o Fúlpito Epaminondas resolveu ficar, também, e pegar o ônibus do regresso apenas na manhã seguinte, com a idéia de ir pedalando da rodoviária direto para o trabalho.) O recepcionista, com a caneta na mão, perguntou seu nome, bastava o primeiro nome. Meu amigo disse o nome, pausadamente, acostumado com esse tipo de situação. &#8220;Quê?!&#8221;, fez o homem, com expressão de não-entendi-nada. Meu amigo repetiu. &#8220;Hein!? <em>Sono</em>!?&#8221;, duvidou o perguntador. Meu amigo tentou então a velha dica: &#8220;Escuta, é igual a Rômulo, só que com S.&#8221; Não deu certo. Soletrou. Nem assim. Aí eu entrei. &#8220;Olha aqui, meu querido, o nome dele é Sômulo, SÔ-MU-LO, mas pode chamar de Fernando, ou de José, como o senhor quiser, o que importa é que eu preciso muito da chave desse quarto!&#8221; Fora de brincadeira, eu é que já estava chamando Jesus de Genésio; fazia tempo que não me cansava assim.</p>
<p>Mais tarde, saímos, ainda, para comer num restaurante italiano pseudo-chique, muito mais pseudo do que chique. Mas a comida estava muito boa, sem pseudo, e a fome era de leão. Final feliz para a primeira viagem de bicicleta do incansável Sômulo (sim, esse é o nome real da figura). Brincadeiras à parte (<em>aposto que vai deixar um recado engraçadinho, né, ô Murcha?&#8230;</em>), não esqueçam este nome e seu dono: você certamente ainda será ultrapassado por ele.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/2526456236/" title="DSCF4119 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3181/2526456236_16f08a2ced.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF4119" title="Clique para ir para a página da foto!"/></a><br />
Valeu, garoto</p>
<p>PS.: Ah! Não era bem &#8220;bolota&#8221;&#8230; isso foi o mais próximo que fui capaz de narrar. <em>Sorry</em>. <img src='http://www.cronicasdebicicleta.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p align="center">&#8230;</p>
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<td><strong>Veja também:</strong></td>
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<td>&#8211; o <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/sets/72157605269618976/">álbum de fotos</a> completo.</td>
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<td><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/sets/72157605269618976/"><img src="http://www.cronicasdebicicleta.com/wp-content/uploads/mosaico-rio-resende.jpg" /></a></td>
</tr>
</table>
</td>
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<p align="center">&#8230;</p>
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