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	<title>cronicasdebicicleta.com &#187; Granja RJ</title>
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	<description>por Vinícius Gusmão Pereira de Sá</description>
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		<title>Inferno na Serra</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 18:09:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vigusmao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Granja RJ]]></category>

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		<description><![CDATA[O nome carinhoso para o desafio de fim de ano da Granja, nome e desafio escolhidos com meses de antecedência, pode ser explicado pela matemática, pela filosofia e pela religião. A primeira apresenta os números: 200 Km de estrada, 4000 metros de ganho de altitude, 1 dia. Ousado!... A segunda, o de-onde-viemos-para-onde-vamos: origem no Rio de Janeiro, destino em Petrópolis, trajetória em ferradura passando por Casimiro de Abreu, Nova Friburgo, Teresópolis. Doentio!... Por fim, a religião esclarece que o próprio Diabo teria espetado aquelas montanhas no caminho, íngremes para nos doer, belas para nos tentar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;ou quase. Poderia ter sido pior.</p>
<p>O nome carinhoso para o desafio de fim de ano da Granja, nome e desafio escolhidos com meses de antecedência, pode ser explicado pela matemática, pela filosofia e pela religião. A primeira apresenta os números: 200 Km de estrada, 4000 metros de ganho de altitude, 1 dia. Ousado!&#8230; A segunda, o de-onde-viemos-para-onde-vamos: origem no Rio de Janeiro, destino em Petrópolis, trajetória em ferradura passando por Casimiro de Abreu, Nova Friburgo, Teresópolis, Itaipava. Doentio!&#8230; Por fim, a religião esclarece que o próprio Diabo teria espetado aquelas montanhas no caminho, íngremes para nos doer, belas para nos tentar. Sombrio!&#8230; infernal.</p>
<p>Na verdade, tudo começaria na véspera do Inferno propriamente dito, quando pedalaríamos do Rio de Janeiro até Casimiro de Abreu, apenas 120 Km de estradas &#8220;tão planas quanto o mapa que você abre sobre a mesa&#8221; (e essa foi a mentira deslavada número 1 deste que vos escreve, a fim de não assustar os companheiros que tinham mui credulamente se metido nessa fria &#8212; pois haveria, sim, uns 600 metros de aclive, numa espécie de Purgatório bem disfarçado). Então, dormiríamos naquela cidade, o ponto de partida para o salve-se-quem-puder do dia seguinte, a tal matemática diabólica, o Desafio em si.</p>
<h4>Primeiro dia &#8212; a Barca de Caronte e o Purgatório</h4>
<p>Araponga encosta sua bicicleta próximo à bilheteria da estação das barcas, na Praça XV de Novembro, às 5h40 de sábado, encontrando Condor e Grande Pássaro, os primeiros a chegar. Minutos depois, faltando apenas cinco para a barca das 6h00, despontam Pombo e Chester no horizonte. No mesmo momento, Araponga recebe o telefonema de um assustado Codorna, que informava seu atraso &#8212; o maldito tinha acabado de acordar.</p>
<p>Decidimos pegar mesmo a barca das 6h00 e esperar o soneca miserável em Niterói, onde poderíamos fazê-lo confortavelmente instalados numa birosca e devidamente rodeados por guloseimas cheirosas, elevadas a status de combustível para o pedal épico.</p>
<p>Quase perdemos a barca, no entanto, por outro motivo: Condor e um guarda das Barcas não conseguiam se entender. A barca apitava para sair, mas o guarda insistia que Condor, após entrar com sua bicicleta no pátio que dá acesso às embarcações, fizesse o procedimento padrão de deixá-la ali, dar a volta, passar o bilhete eletrônico pela roleta, e só então pegar a bicicleta e com ela subir na barca. Mas Condor alegava que não havia necessidade de dar a volta, por ser portador de um bilhete especial a que dá direito sua deficiência auditiva. A barca rangia, e gemia, e bramia, e Condor procurando algo na mochila, e a mochila do Condor aberta, e coisas espalhadas pelo chão&#8230; Por fim, dando-se por vencido, Condor deu a volta, reclamando muito, e tentou correr para a barca (de sapatilha de ciclismo), mas passou direto pela entrada, quase indo parar em <em>outra</em> barca! Tudo isso enquanto o guarda, que já tinha as bagagens de Condor nos braços, gritava &#8212; em vão &#8212; para que ele parasse de correr e tomasse o caminho certo. De dentro da barca certa, não sabíamos se gritávamos, se acenávamos, se ríamos, se sentíamos vergonha de todos os outros passageiros que nos fitavam, uns com zanga, outros com escárnio, se deixávamos para lá, ou se tudo isso ao mesmo tempo.</p>
<p>Tudo aquilo ao mesmo tempo, assim se deu. Mas Condor achou seu caminho, a barca atrasou sua partida em três minutos, e todos singramos felizes a Baía de Guanabara, do outro lado da qual encontramos uma padaria recém-aberta onde devoramos uma dezena de pães com uma mortadela infecta porém deliciosa.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203755054/" title="DSCF1485 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2502/4203755054_d3f9ecedf5_m.jpg"  height="228" alt="DSCF1485" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4202998203/" title="DSCF1484 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2602/4202998203_cff7b8795d.jpg"  height="228" alt="DSCF1484" /></a><br />
Conduzidos de barca ao primeiro vestíbulo do inferno</p>
<p>Enfim, Codorna chegou, deu sua colaboração para o célebre DesculpasEsfarrapadas.com, e partimos. Grande Pássaro e Condor, talvez por não virem treinando recentemente com o grupo, estavam animados e puxavam forte o ritmo. Chester e Pombo, conscientes do que vinha pela frente, tentavam esfriar um pouco o ímpeto da rapaziada. Araponga e Codorna ficavam ali pelo meio tentando unir as duas pontas. Volta e meia, Condor partia num <em>sprint</em> alucinado. &#8220;Dane-se! Dane-se!&#8221;, repetia (a expressão não era exatamente essa). O homem queria ação!</p>
<p>Grande Pássaro não seguiu conosco até o fim. Ele não faria o Inferno no dia seguinte, sua idéia era nos acompanhar até o meio do caminho, onde desviaria para Friburgo via Cachoeiras de Macacu. E assim o fez, depois de uma bela foto do grupo (na qual Condor não aparece, pois havia disparado na frente).</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203756204/" title="DSCF1493 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2709/4203756204_87ce5ef117.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF1493" /></a><br />
Despedida do Grande Pássaro (sem o uniforme, à esquerda)</p>
<p>Fizemos um lanche no Km 80, no estratégico O Queijão. Várias cenas pitorescas aconteceram nesse local, mas minha licença poética por escrever estas linhas não é tanta que me permita submeter o casto leitor a tamanha dose de bizarrice. Digamos apenas que tentávamos convencer Condor, que planejava voltar de ônibus para o Rio assim que chegasse a Casimiro de Abreu, a ir para a morte no domingo, a usar todo o seu &#8220;lastro&#8221;, e que este, defendendo sua honra, falava coisas engraçadas, que incluíam referências a certo &#8220;chester de Natal&#8221; e muitas repetições de seu mantra: &#8220;Dane-se! Dane-se!&#8221; Estávamos felizes, pois.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203002569/" title="DSCF1513 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4043/4203002569_c360ed1b01.jpg" width="500" height="241" alt="DSCF1513" /></a></p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203003859/" title="DSCF1531 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2766/4203003859_b885812681_m.jpg" width="96" alt="DSCF1531" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203003695/" title="DSCF1529 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2678/4203003695_152da3448e_m.jpg" width="96" alt="DSCF1529" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203759678/" title="DSCF1524 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4040/4203759678_9a435037b3_m.jpg" width="96" alt="DSCF1524" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203003969/" title="DSCF1532 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2689/4203003969_a9270cdd45_m.jpg" width="96" alt="DSCF1532" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203003269/" title="DSCF1526 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2680/4203003269_7479ec24fd_m.jpg" width="96"  alt="DSCF1526" /></a><br />
Ensaio em pleno O Queijão: Chester, Arapa, Condor, Codorna e Pombo</p>
<p>Apertamos um pouco o passo nos quilômetros finais (tudo bem, apertamos <em>bem</em> o passo, a mentira deslavada número 2 dizia que iríamos &#8220;tranqüilinhos&#8221; todo o tempo), e Casimiro de Abreu chegou antes do que supúnhamos. Quando embicamos para o hotel, Condor, que tinha ficado um pouco para trás depois de tanto puxar o grupo no começo do dia, passou, mais uma vez, direto. &#8220;Stop, Forrest, stooooop!!&#8221; É claro que gritamos em vão, então Codorna e Araponga saíram como loucos em seu encalço, antes que a ave surda fosse parar em Rio das Ostras!</p>
<p>Condor voltou mesmo para o Rio, pois tinha compromisso. Então, rumamos para o hotel e explicamos para a recepcionista que seríamos apenas quatro, e não cinco, a pernoitar ali, pois Papagaio, que iria de ônibus no sábado à noite, acabara de mandar mensagem declarando sua desistência-amarelescimento. A recepcionista não criou caso, mas disse não haver quarto para quatro, exceto um que tinha duas camas de solteiro e uma de casal. Codorna, assumidamente <em>gay</em>, foi logo resolvendo com um &#8220;Seeeeeeem problemas!&#8221; Sentindo-se desconfortável, Araponga explicou que Codorna e Chester eram irmãos, então se entenderiam. A recepcionista fez que acreditou, ou que não se importou, e nos deu a chave do quarto 310. A idéia não parecia <em>de todo</em> má, pois sairia mais barato, e não teríamos que separar o grupo, mas <em>se tornou</em> muito má para Araponga, tão logo definiu o Destino &#8212; por meio de um malfadado zerinho-ou-um &#8212; que <em>ele</em> dividiria a cama com Codorna, o Homo. (Para constar, Codorna e Chester são tão irmãos quanto você e Chuck Norris. E Codorna, é claro, não é <em>gay</em>; é casado com Tânia e tem um filhinho adorável, Gabriel, que, com meses de vida, tem mais cabelo que seu pai e Tio Arapa juntos.)</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203760888/" title="DSCF1533 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4046/4203760888_682ae91cff_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1533" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203005573/" title="DSCF1542 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2707/4203005573_21b4012578_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1542" /></a><br />
Despedida do Condor da Montanha</p>
<p>Resolvida a pendenga do quarto, tomamos banho e fomos almoçar na churrascaria anexa ao hotel. Comemos demais. Principalmente Pombo, que por pouco não cravou 1 Kg na balança. </p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203008401/" title="DSCF1569 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2644/4203008401_aa898df6fd.jpg" width="500" height="249" alt="DSCF1569" /></a><br />
A Granja em Casimiro de Abreu</p>
<p>Papagaio manda mensagem dizendo que sim, viria. Nova conversa com a recepção do hotel, agora na figura de um gajo com quem Araponga não se sentiria especialmente inclinado a concordar caso lhe fosse reiterada a necessidade de dividir a cama com um malandro. Mas foi exatamente o que aconteceu! Incrivelmente, não havia mais quartos, apenas um com cama de casal. Então&#8230; que jeito? Se fico (isso mesmo, chega de usar a terceira pessoa), durmo com Codorna. Se vou, durmo com Papagaio. Acabou acontecendo a segunda opção, mas a cama era suficientemente grande para não haver qualquer tipo de contato, o que seria desonroso e me faria optar pelo chão, a sarjeta, o Limbo. Como ponto positivo, diga-se que o ar estava bem mais respirável neste novo quarto 306 do que naquele 310, habitado por uma raça de aborígenes pestilentos.</p>
<p>Meu companheiro de quarto chegou à noite, e todos comemos uma pizza engordurada tamanho &#8220;Maracanã&#8221;. Uma não, <em>duas</em> pizzas, dois Maracanãs de gordura. Não podia prestar. E nem era pra prestar, ou alguém tinha vindo para um Éden na Serra? </p>
<h4>Segundo dia &#8212; o Inferno</h4>
<p>Falando em Éden, a TV do hotel passava um daqueles documentários bíblicos com Adão, Eva, maçã, durante o café-da-manhã que tomamos, às 5h40. Ocorre que, antes de Adão, costela, serpente, o que havia era fogo e tempestade, e o documentário mostrava essa parte de maneira bem impressionante. Tudo aquilo na tela da TV, com uma música de fundo apocalíptica, infernal, não podia ser mais apropriado! Vulcões vomitando todo aquele enxofre, montanhas de magma contra o céu em chamas, bem-vindos ao Inferno na Serra!</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center">Foto: Papagaio<br />
<img src="http://www.cronicasdebicicleta.com/wp-content/uploads/GEDC0483-a-300x216.jpg" alt="GEDC0483 (a)" title="GEDC0483 (a)" width="300" height="216" class="alignnone size-medium wp-image-1064" /><br />
A TV anunciava</p>
<p>Curioso que estivéssemos indo de encontro ao Coisa Ruim em veículos que passariam quase todo o tempo apontando para o céu. As subidas não dariam trégua em momento algum nas próximas 12 horas, e já saímos do hotel Patropi no começo da pontiaguda Serramar. Não menos curioso foi termos sobrevivido, depois de um começo desalentador, a tanto paredão, tanta obra do Tinhoso (quero crer que Satã passava por uma fase especialmente ruim quando esculpiu a Serramar, quiçá estivesse sua senhora com TPM, dormindo de calça jeans).</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204023884/" title="DSCF1591 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2499/4204023884_488eb85534.jpg" width="500" height="277" alt="DSCF1591" /></a><br />
Começo de dia: Codorna, Papagaio, Pombo e Chester</p>
<p>Em Lumiar, paramos para um breve lanche, bem a tempo de assistirmos a largada da Copa da República, prova disputada por alguns ciclistas fracos, em Brasília, enquanto os fortes seguiam em frente pelas serras fluminenses. Então o improvável aconteceu. Pombo, de todos o mais forte, o mais temido, o mais respeitado (<em>Pombo, pode me emprestar uma grana?</em>), não se sentia bem, nada bem. Havia um <em>alien</em> em sua barriga, e as horas que passara no &#8220;trono&#8221;, desde a noite anterior, só eram superadas pelas horas no selim. Para ele, especialmente, o sofrimento já tinha começado.</p>
<p>No final da subida mais longa da Serramar, Pombo chegou escoltado, mas apenas moralmente, pela moto de um amigo seu, depois de encontro quase casual por aquelas bandas (o amigo sabia de nosso desafio e estava à espreita). Era difícil de acreditar! Mas se, estando-se são, já se sofre, doente é quase impossível.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204030260/" title="DSCF1621 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4045/4204030260_9dda9986bd.jpg" width="500" height="208" alt="DSCF1621" /></a><br />
A morte de um pombo imundo</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203272659/" title="DSCF1617 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2750/4203272659_96409fa9aa_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1617" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204030596/" title="DSCF1624 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2738/4204030596_62ccfbbd3a_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1624" /></a><br />
As mortes de um papagaio falante e de um chester de Natal</p>
<p>Em Friburgo, Pombo foi obrigado a jogar a toalha e entrou num ônibus para o Rio. Os outros quatro seguiram para Teresópolis, 70 Km adiante. A nova estrada, Terê-Fri, palco do Granfondo das Montanhas deste ano, era menos maligna que a anterior (uma Diaba mais atenciosa, quem sabe), mas ainda assim impunha dificuldades de sobra aos quatro condenados. Pedalávamos ora sob sol inclemente, ora sob chuva grossa e fria. Com a garganta inflamada desde a antevéspera, cheguei a colocar uma capa de chuva, apenas para ter que tirá-la no momento seguinte, com a volta do sol.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203275271/" title="DSCF1629 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2567/4203275271_b5f29366f7_m.jpg" width="240" height="148" alt="DSCF1629" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203276203/" title="DSCF1636 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2553/4203276203_80cc7635c4_m.jpg" height="148" alt="DSCF1636" /></a><br />
Despedida do Pombo</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204035380/" title="DSCF1646 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2655/4204035380_be38a2aa03.jpg" width="500" height="268" alt="DSCF1646" /></a><br />
Travessia Friburgo-Teresópolis</p>
<p>Passavam das cinco da tarde quando chegamos a Teresópolis, já com 140 Km e 3000 metros de aclive nas pernas. Chester e Papagaio, após terem batido recordes pessoais para todos os gostos, decidiram voltar para casa. Aquela não era apenas a opção mais sensata, mas representava também a inadiável recompensa por terem alcançado, com louvor, o objetivo que tinham traçado para si. </p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203279665/" title="DSCF1652 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2539/4203279665_5072a4b825_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1652" /></a> <a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204036414/" title="DSCF1651 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2721/4204036414_f0061841bf_m.jpg" width="240" height="160" alt="DSCF1651" /></a><br />
Despedida de Papagaio e Chester, seguem Araponga e Codorna</p>
<p>Mas o Capeta ainda chamava, queria nossas almas e emanava seu bafo das entranhas da Terra. Codorna e eu seguimos, obstinados, amaldiçoados. Restavam ainda 60 Km e duas grandes subidas até o destino final. A primeira, os 9 Km de subida da Estrada das Hortênsias, foi vencida com ódio no olhar. Estávamos os dois numa espécie de transe, de tal forma que os 45 minutos de subida duríssima passaram num instante. Depois da gigantesca descida de 20 Km, um lanche rápido na Casa do Alemão (<em>croquetche!</em>), e entramos na última estrada, a BR-040. Caía a noite.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203280123/" title="DSCF1656 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2576/4203280123_663edbc32f.jpg" width="333" height="500" alt="DSCF1656" /></a><br />
Codorna escalando as Hortênsias</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204037722/" title="DSCF1660 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2596/4204037722_a343f065ab.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF1660" /></a><br />
Eu na curva da Ferradura</p>
<p>Caiu mesmo a noite, em cima de nossas cabeças. Como previsto, nada aterrador. Tínhamos luzes piscantes nas traseiras das bicicletas, e os muitos carros que passavam iluminavam a estrada à nossa frente. De qualquer forma, foi uma experiência inédita, da qual sempre fugi como o Diabo (olha ele aí) da cruz. </p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204038070/" title="DSCF1663 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2799/4204038070_9515e2b7c0.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF1663" /></a><br />
Breu</p>
<p>Na última subida, bateu uma espécie de cansaço. Os 5 Km finais! A liberdade! Eis, então, uma das grandes vantagens de se pedalar com alguém. Um dava força pro outro, um <em>não queria fazer feio</em> para o outro, um sabia que o outro estava tão cansado quanto e se sentia de certa forma responsável pelo outro. Fomos em frente, em frente&#8230; e a rodoviária de Petrópolis, finalmente, nos sorriu, na beira da estrada! </p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203281523/" title="DSCF1666 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2562/4203281523_938af21851.jpg" width="500" height="261" alt="DSCF1666" /></a><br />
A despedida&#8230;</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4204038278/" title="DSCF1665 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2560/4204038278_4943e0ab94.jpg" width="500" height="334" alt="DSCF1665" /></a><br />
&#8230;e a morte de Araponga e Codorna</p>
<p>Missão cumprida. (E <em>comprida</em>!&#8230; contando todas as paradas, foram 13 horas na estrada.) Pegamos o ônibus para o Rio e apagamos sem a menor cerimônia. Num dado momento, Codorna deu uma leve despertada e, percebendo alguns lugares vazios no interior do ônibus, disse &#8220;vou me mudar para uma janela&#8221;. Resmunguei uma concordância. Só então percebemos que o ônibus já estava parado na rodoviária do Rio, e os lugares estavam quase <em>todos</em> vazios, os passageiros desembarcavam!</p>
<p>Estávamos cansados, sim, mas com aquela recompensa que não tem preço. Não só do desafio vencido, mas da lembrança de todos os momentos impagáveis que passamos nos dois dias, ao lado de amigos queridos. Em retrospecto, tudo deu certo demais. Até mesmo Murphy, este quase onipresente ser, esqueceu-se de dar as caras (vai ver amarelou para o Inferno na Serra &#8212; nós compreendemos): não houve sequer um furo de pneu, nos dois dias, com qualquer um de nós! E como acabou a aventura? Todo o povo a aplaudir, a imprensa a postos, um banquete? Não &#8212; os dois sobre suas bicicletas, capacetes afivelados, pedalando da rodoviária até suas casas, às 11h da noite. E esta sim foi a meia hora mais longa do dia, para mim.</p>
<p>Sim, humilhamos o Inferno na Serra, que poderia ter sido <em>bem</em> pior. Verdade seja dita, foi bom <em>demais</em>, melhor não poderia ter sido. Obrigado, Deus, amém.</p>
<p>E obrigado, agora é o Vinícius quem fala, a todos os amigos que participaram desta aventura: Mario, Nelson, Rogério, Bruno, Júlio, Érico, vocês são incríveis! Assim é a Granja, e assim será.</p>
<p style="font-weight: bold; font-size: 80%" align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/cronicasdebicicleta/4203281863/" title="DSCF1668 by cronicasdebicicleta, on Flickr"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2782/4203281863_5afee80428.jpg" width="500" height="333" alt="DSCF1668" /></a></p>
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