O título bem poderia ser Três relatos da solidão das ruas ou Três compêndios da miséria humana. Mas o que posso contar é muito pouco, apenas a ínfima interseção de vidas tão opostas (as nossas e as deles). Três noites, nada mais, uma por semana. Três tapas na cara, é verdade, mas suficientes apenas para uma idéia muito vaga das verdadeiras histórias que repousam ali, nas memórias adoecidas daquela gente. O sofrimento que testemunhamos é palpável, mas ainda assim resumido e distante de nossas próprias realidades.
É comum apegarmo-nos à idéia de que, com o Pedal Sem Fome, não levamos apenas um pequeno lanche, uma tapeação àquelas barrigas ácidas e corroídas pela digestão de um vazio constante. Gostamos de pensar que levamos também algum alimento moral, algo como um antídoto ao desprezo que lhes votamos nos outros dias. Mas esse alento extrafísico, que a maioria sequer deve sentir ou compreender [...]