A Marcha do Imperador - 2º dia
(Postado em 26/04/06, às 11:20.)Penedo — São José dos Campos (182,54 Km)
Sábado, 15 de abril de 2006
Penedo é daqueles lugares turísticos que dormem e acordam tarde. Pra você ter uma idéia, o café-da-manhã é servido a partir das oito nos hotéis e pousadas. Eu, que às oito daquele sábado já estaria dentro de São Paulo (o estado), saí do hotel sem café. Bebi apenas o copo de leite que eu havia solicitado à dona do hotel, na véspera, e que estava quase congelado dentro do frigobar.
Percebi, logo nos primeiros giros do dia, que meu corpo tinha se recuperado maravilhosamente. Nenhum sinal de fadiga muscular. Apenas, pra não dizer que estava tudo perfeito, assaduras nas virilhas e glúteos. Mas, como eu tinha passado a tal pomada (Quadrilon é seu nome), me fiava em sua atuação ao longo do dia. E deu mesmo certo, porque aos poucos não fui sentindo mais desconforto algum.
Tomei café no Graal de Itatiaia: suco de laranja e pão com queijo. (Graal, pra quem não sabe, é uma rede enorme de lanchonetes idem, espalhadas por várias estradas importantes e muito usadas pelas companias de viação para fazerem suas paradas.) De volta à estrada, não demorou nada e minha bicicleta já tinha se tornado um veículo inter-estadual.
Depois, segui mais um pouco até perceber que não fazia o menor sentido eu carregar uma mochila de hidratação às costas quando tinha um bagageiro com a parte de cima livre. É que, além do peso da água, havia também algumas outras coisas que eu optara por deixar mais à mão do que estariam no fundo dos alforjes. O fato é que os ombros, por mais leve que seja a carga, começam a reclamar depois de horas e horas e horas de pedal. Parei, então, e amarrei a mochila no bagageiro (primeiro, verticalmente; depois, no fim do dia, mudei para amarração horizontal). Decisão certíssima.
Talvez eu não tenha enfatizado o suficiente o quanto meu corpo havia se recuperado do esforço da véspera. Estava como se não tivesse pedalado nada no dia anterior, na verdade como se tivesse hibernado durante um mês. Contribuiu para essa sensação de quase euforia o fato de estar atravessando uma região belíssima, em meio a vales de rios, pontes, terras e verdes de muitas tonalidades e cheiros. Talvez por tudo isso, me empolguei e comecei a (tentar) destruir a estrada, não respeitando mais subida nenhuma, escalando com raiva o que vinha pela frente, sprintando toda hora pra perseguir caminhão, todo tipo de coisa que poderia facilmente ter comprometido o resto da viagem. E que quase comprometeu, como meu joelho direito bem o demonstrou, algumas horas mais tarde.
Foram 182 Km. Já era de tardinha e eu estava finalmente chegando a São José dos Campos quando o joelho resmungou alguma coisa. Algo assim como “panaca!”, teria dito. É claro que era o preço pelas estripulias do dia. Prometi a mim mesmo que iria maneirar no dia seguinte. Mal sabia que maneirar no dia seguinte seria minha única opção, porque a dor, bem leve no começo, não diminuiria nada durante aquela noite, a despeito do Cataflan que passei.
Por estar situada próxima ao ponto em que a D. Pedro I aflui da Dutra, São José dos Campos foi minha escolha como parada noturna desse segundo dia para que eu pudesse começar o terceiro já praticamente dentro daquela nova estrada. Sobre a cidade, no entanto, não tenho muito a contar. Encontrei-a toda fechada, o que é bastante compreensível, dada a hora em que lá cheguei num Sábado de Aleluia. Apenas comi um pê-efe de quatro contos num boteco e fui dormir num hotelzinho mal ajambrado e pior freqüentado, como só fui descobrir tarde demais para me arrepender.

Tudo fechado em São José dos Campos
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September 2nd, 2007 at 11:17 pm
massa essa de viajar de bike. vou fazer minha pprimeira viagem fim de semana q vem, dia da independencia por coincidencia, é pouco 70 km, só pra treinar. um abraço. Cleber- Maringá Pr