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A Marcha do Imperador – 7º dia

(Postado em 30/04/06, às 16:45.)

Uberaba — Uberlândia (118,29 Km)
Quinta-feira, 20 de abril de 2006

Antes de partir, fui aproveitar a luz da manhã para tirar algumas fotos da cidade. Sem pressa, e com a bicicleta facilitando meu deslocamento para cá e para lá, pude ver um bocado de coisa. Até presenciei um acidente de trânsito em tempo real. O que foi bastante irônico, já que na estrada propriamente dita não passei nem por carroça quebrada.

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Eu e ela na Praça Rui Barbosa, em Uberaba

Sem pressa, achava que esse último dia seria uma simples esticada de pernas numa reta monótona chamada BR-050. Mas não foi bem assim.Trata-se, no mapa, de um perfeito segmento de reta indicando 100 Km no meio do nada. Nenhuma cidade ou vilarejo. Apenas mato muito alto que, soprado pelo vento forte, avançava sobre a pista, me atacando. Naquele corredor (polonês) de verde balouçante, a maior parte do tempo sem conseguir ver o horizonte a Leste ou a Oeste, e com um vento contrário animal, tudo que eu passei a querer era chegar logo.

Aliás, quase todo mundo pensa que subidas são o que pode haver de pior para o ciclista. Errado. O vento-contra é o grande e sujo vilão. É claro que as subidas podem ser extenuantes, principalmente por impedirem que você intercale momentos de descanso em deslizamento gratuito com aqueles em que você está realmente comunicando força aos pedais (o mesmo princípio do urubu que pára de bater as asas e fica planando um tempão). Subindo, parar de pedalar é parar de andar — ou começar a descer! Ainda assim, enquanto luto contra uma pirambeira, sinto como se estivesse acumulando créditos. Ao longo dessa viagem, pensei várias vezes “ah, não vai parar de subir não? OK, depois deixa eu descer tudo que eu tenho direito”. E a descida, quando vinha, vinha mesmo! Com emoção! Já vento-contra é injustiça pura: tudo o que faz é te roubar energia, sem prometer nada em troca. Devia ser proibido.

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Trecho bonito da 050

Resumindo, aquilo que eu imaginara um passeio no parque veio a ser treino para lá de puxado. E ainda teve a corrida que tomei do cachorro, que me fez dar o maior sprint da viagem, quiçá da vida. O cão apareceu do meio do nada, latindo e com as gengivas a mostra, numa correria ensandecida na direção de uma batata da minha perna. Para bater um papinho é que não era, com aqueles dentes enormes. Acabei me safando, mas foi por muito pouco!

Até o fim, o maior tobogã do mundo e o vento não deram a menor colher-de-chá. Só mesmo a minutos da entrada de Uberlândia é que relaxei. Aí a felicidade mais intensa me invadiu. Visceral. Inesquecível.

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Missão cumprida


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