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Rio-Chuí – 14º dia

(Postado em 29/07/09, às 17:06.)

Araranguá — Santa Terezinha (144,80 Km)
Sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Dia de fronteira, a penúltima da viagem. Já sentíamos cheiro de churrasco e erva-mate.

O café-da-manhã, no hotel de Araranguá, foi o último que tomamos eu, Fininho e Pontinho, o grupo original. Nos próximos, estaríamos em maior número, pois meus primos Eduardo e Iara nos hospedariam, no fim do dia, em sua casa de praia em Santa Terezinha, não muito distante de Porto Alegre, e dali em diante Edu — vulgo Gringo, ou Sedex — pedalaria conosco.

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Último café-da-manhã só dos três mendigos originais

Os últimos quilômetros no estado de Santa Catarina foram vencidos sem grandes dificuldades ou emoções, as maiores das quais garantidas pela ausência de acostamento — e pela presença de montes de barro — em alguns trechos em obras.

Invadimos o Rio Grande do Sul sem notar, uma vez que não havia uma placa de bem-vindo ou qualquer outra. Na verdade, só nos demos conta da fronteira transposta quando já respirávamos ar gaúcho havia algumas centenas de metros.

Abandonamos a BR-101 para entrarmos no balneário de Torres, onde fomos almoçar, comprar cartões pré-pagos para meu celular catarinense recém-comprado e ver o mar, talvez não nessa ordem. Como foi bom rever o mar depois de tanta serra! O mar por alguma razão nos fazia crer em caminhos lineares dali em diante, em terras planas, em aroma suave, em brisa benfazeja, em hotéis aconchegantes, chuveiros a gás, camas confortáveis, Coelhinho da Páscoa, Saci. Parecia, sim, que dali até o Uruguai seria um passeio no parque, sensação que só era reforçada pela visão da gauchada tranqüila na praia em sua despreocupada fotossíntese, nem aí para o ácido lático em nossas pernas.

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A estrada em obras e a praia de Torres

Saímos de Torres pela quase litorânea Estrada do Mar, onde um vento a favor nos empurrou impetuosamente. Confesso que estava tão exultante que mal conseguia refrear o instinto assassino, massacrando os pedais com a força do Coelho dos primeiros dias e a sofreguidão do náufrago que vê terra firme, puxando o bonde acima dos 40 Km/h com um sorriso doentio no rosto.

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Estrada do Mar

Acima de tudo, eu queria chegar. Veria minha família, os primos gaúchos, e até minha mãe, que tinha vindo do Rio, de avião, e estava com os primos a nos esperar.

Mas alguns furos de pneu nos refrearam a marcha. No primeiro deles, entramos no mato para fazer o conserto, já que não há acostamento na Estrada do Mar. No segundo, estávamos em frente a um desses clubes de águas repleto de tobogãs e crianças felizes. Foi ali que conhecemos o sósia do Charles Bronson, embora este não ganhasse a vida com isso, pois era policial — e estava ali a serviço. O cara era gente boa e posou para foto. A decepção foi sua voz, que era fina, em nada parecida com a de sua contraparte mais famosa e mais freqüentadora do Domingo Maior.

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Parque aquático com seres esquisitos

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Desejo de Matar 2, com Mr. Charles Cara de Cachorro Bronson

Foi também na Estrada do Mar, numa dessas vendas enormes de gêneros locais, que conhecemos o tal do “queijo de porco”. Valha-me Deus, não fui criado com isso, não! Mas tinha um aspecto interessante, a iguaria, embora tenhamos preferido ficar sem conhecê-la mais a fundo. O que não recusamos foi o caldo-de-cana com limão, especialidade da casa.

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Guloseimas da estrada

E tome pedal. Dali a pouco, vimos que teríamos companhia! Olha ali um ciclista! Chegamos mais perto, cumprimentamos, e o que ouvimos de volta foi: “faaaala, Fininho!” Como assim?! O cara sabe quem somos?! Só então olhei direito… e caí na gargalhada! Era o Edu, que tinha deixado o carro e o resto da família num posto de gasolina, adiante na estrada, e tinha subido na bicicleta para ir a nosso encontro! E eu nem o reconheci, quando o cumprimentei!

Os outros, que de fato até então não o conheciam — embora fossem conhecidos por ele, que vinha acompanhando pela Internet as fotos da viagem –, foram devidamente apresentados, e seguimos juntos até o ponto de encontro, no tal posto.

Foi, então, aquela festa. Mãe, primos, abraços, fotos. Um momento bem alegre, parecia que tínhamos mesmo feito algo.

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Recepção em família

Seguimos, então, primeiro até a casa de praia, depois até a própria praia, onde ficamos até o entardecer entre mergulhos, conversa, marasmo, foto de garça, frescobol, papo pro ar. É… pensando bem, já estávamos um bocado longe de casa.

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Ao entardecer


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5 comentários em “Rio-Chuí – 14º dia”

  1. Carlos Eduardo Patussi diz:

    Beleza Vinícius! Tá quase terminando a saga, mais 6 dias (um de descanso).
    Sedex rsrsrs!!! -O Fininho e seus apelidos, aquela cabeça vermelha é criativa.
    Eu estou na foto de camiseta e short jeans (hehehe) dia de trabalho, na verdade não resisti ficar ali esperando e fui na direção de vcs uns 3-4Km qdo os encontrei e está contado aí.
    A cara do Fininho estranhando quando aquele desconhecido o chamou foi muito engraçado.
    Abração.

  2. Fe diz:

    Ufa!! Deve ter sido boa a sensação desse dia.. chegar em terra segura, com família esperando.
    Mas queijo de porco não dá! Nem com aquela fome toda ;-)

  3. Só uma admiradora! diz:

    Andei vendo umas fotos e fiquei encantada com os passeios que vc fez(Vinicius).Parabéns e vc acaba de ganhar uma admiradora.

  4. Cláudia Pinho diz:

    Olá, vou fazer essa viagem ,porém de moto. VCS sabem me dizer quantos postos de gasolina tem na estrada de Chuí.

    Aguardo retorno
    Cláudia

  5. vigusmao diz:

    Cláudia, a que estrada você se refere? Foram 2650 Km do Rio até o Chuí! Bom, se você quer saber entre Pelotas e Chuí, que é onde o bicho pega (ausência quase total de civilização), que eu me lembre, passamos por apenas 2 postos de gasolina, mas posso estar enganado.

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