Rio-Chuí – 15º dia
(Postado em 09/10/09, às 16:40.)Santa Terezinha — Porto Alegre (131,20 Km)
Sábado, 19 de janeiro de 2008
A sensação de estar em casa depois de tanta estrada é boa e reconfortante, renova as baterias. Não estávamos exatamente em nossas casas, mas a de familiares queridos é melhor que qualquer hotel, sobretudo o tipo de hotel que vínhamos freqüentando. Foi assim na casa do tio do Fabricio, em Muriqui, depois na do primo do Fininho, em Florianópolis, e agora na de meus primos, em Santa Terezinha. Acordei renascido, pronto para qualquer coisa.
O pedal de hoje seria, supostamente, simples: uma enorme e planíssima reta pela freeway (BR-290) até Porto Alegre. Decidimos, então, tirar a manhã de folga e partir apenas depois do almoço.
Logo depois do café, Edu nos levou de carro a Tramandaí, o polo praiano da região. Fabricio quase não se agüentou de emoção pois tinha estado lá anos antes, num congresso ou coisa parecida. Eu quase não me agüentei de frio, tamanha a ventania no píer que visitamos — e que entrava mar adentro aquilo que me pareceu alguns quilômetros. Além do píer glacial, passamos também por uma loja de bicicletas, onde a roda traseira do Pontinho foi muito bem cuidada do que quer que ela padecesse naquele dia.
Além dos três sujeitos que o leitor já conhece bem e de meu primo Edu, o grupo que saiu pedalando de Santa Terezinha contava também com Márcio e Rogério, dois bons amigos do Edu — e também meus, desde que ficaram em meu apartamento, no Rio, por ocasião da Meia-Maratona Internacional de 2007. Depois da inevitável sessão de fotos, partimos.

Fabricio, Márcio e Fininho; Edu, Rogério e eu

A partida (participação especial: Mateus)
Supostamente simples, eu havia dito. Mas nada é tão simples quando se tem um pneu furado a cada cinco minutos. Até agora não encontramos explicação razoável. O fato é que houve tantos furos de pneu — só o Fininho furou 5 vezes! — que a gente mal progredia. O resto da família, que seguia no “carro de apoio” — pois até isso tivemos, no dia de hoje! –, já não acreditava possível tanta furação! Será que eles vieram do Rio de Janeiro até aqui assim? Não, não viéramos bem assim. Hoje, furamos mais do que em todos os outros dias de viagem juntos!

A galera chegando e o carro de apoio
Numa tentativa de esfriar os ânimos, esquentar a barriga, e quem sabe conter a seqüência de furos, desviamos ligeiramente o caminho para comer pães de queijo gigantes. O que teríamos pela frente, com pães de queijo na barriga, seria simples, ah, seria.
Supostamente simples. Talvez se eu não tivesse tentado assassinar o Fininho. Fininho já não gosta muito de pedalar em pelotão, prefere fazer mais força que os outros colocando aquele cabeção no vento do que ir no meio do grupo e se expor a uma possível barbeiragem alheia. Hoje, porém, ele estava no meio do grupo. Meio ressabiado, mas estava. Foi quando me distraí e cometi uma caçafoicice histórica: deixei minha roda dianteira encostar na roda traseira do Márcio, que ia na minha frente. Perdi o controle da bicicleta, que guinou para a direita, bem em cima de quem?… do Fininho, claro! Fomos os dois para fora da pista, ainda em cima das bicicletas. Tentamos controlá-las, mas o terreno era inóspito: com grama, e em declive. Fininho, com a técnica de décadas de mountain-bike, escapou. Eu, indo na direção de uma espécie de bueiro sem tampa, não tive alternativa e me atirei para um lado, empurrando a bicicleta para o outro.
Supostamente. Com o sol cada vez mais baixo, já fazíamos contas com os minutos restantes. O carro de apoio lotado, sem chance de carregar alguma bicicleta, que dirá seis. Precisávamos agir rápido. Mas como, com tanto furo? Alguém rogara, definitivamente, uma praga. E eu, machucado, queria mais do que nunca chegar em casa para poder cuidar daquilo direito. Os furos não tinham fim.
O leitor vai ficar mal acostumado, dessa forma, mas a verdade é que foi o tempo exato para o final feliz. Chegamos às luzes de Porto Alegre eu, Edu e Pontinho, exatamente no último minuto possível. Dez quilômetros antes, Márcio e Rogério já haviam embicado para a cidade vizinha Gravataí, onde moram. Fininho seguira com eles, pois dormiria na casa de um tio gravataiense.
Com a mãe presente, e com uma janta verdadeiramente digna na casa dos primos Edu, Iara, Matheus e Duda, o final foi realmente feliz! Teríamos, agora, o domingo inteiro para descansar e não pensar em bicicleta. O Uruguai, afinal, estava apenas a quinhentos e poucos quilômetros — supostamente tranqüilos — de nós.

Rio de Janeiro — Porto Alegre: feito!
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October 9th, 2009 at 5:14 pm
o etapa pra furar pneu mas valeu muito a pena pela galera que foi toda junta,como eu naum curtia pelotão depois dessa barbeirada sua to com medo da copa vo2 de novembro ou saio por ultimo ou saio primeiro como primeiro eh impóssivel vou chegar na largada meia hora depois ai vou sozinho tranquilo hehehehe nos vemos lá amigo abraços
October 12th, 2009 at 3:40 pm
Não podia ter um único dia fácil, né? Murphy estava lá com vocês, vigiando cada kilômetro pedalado, certamente. E deve ter dado boas risadas de onde quer que estivesse. Mas imagino que vocês também tenham se divertido no final das contas – todo o pessoal junto, carro de apoio atrás, e belas paisagens.
Aguardo ansiosa pelo próximo dia da viagem!
October 13th, 2009 at 11:18 am
Olá Vinícius…
Achei seu blog/site no “Maglia Rosa” e parabens….
Excelentes fotos,textos inteligentes e bem humorados…..
Muito bom mesmo….Acesso todo dia….
Eu tenho um blog tb,é mais voltado pra MTB….Se tiver curiosidade em dar uma olhada o endereço é http://www.bikeblogsjc.blogspot.com
Moro em São José dos Campos-SP…..
Grande abraço….
October 14th, 2009 at 2:34 pm
Oi Vinícius.
Muito bom novamente o texto.
Realmente furou muito pneu, e com excessão da estradinha inicial de acesso, o restante éra de estradas muito boas e com acostamento lisinho e “limpo”, lembro até da “encanação” com o Mr Tuff que na segunda foi abolido.
Os pães de queijo gigantes, na verdade são os tradicionais sonhos de Santo Antônio da Patrulha, parecem pães de queijo pois são feitos com polvilho.
E a chegada em Porto Alegre, quando tivemos que cruzar as quatro faixas da BR 290 para acessar o viaduto do aeroporto? O Fabrício quase teve um mal estar.
E realmente chegamos na última fagulha de luz, entramos na cidade já com as luzes dos postes e sem nenhuma luz natural. Foi muito legal!
Grande abraço
Edu.
October 14th, 2009 at 3:47 pm
Podes crer, Edu. Eram SONHOS GIGANTES, não pães de queijo!!!!
“O Fabricio quase teve um mal estar” huahuahuahuahua!!!! É verdade!
Abração!
October 20th, 2009 at 8:20 am
Blz Vinícius…
Valeu mesmo…quando estiver por aqui no Vale do Paraíba,avise pra pedalar junto com a gente….
Vc vai na ExpoBike????
Abs.
October 23rd, 2009 at 10:48 am
Fala Vinícius….
Dá uma olhada nisso….
http://bikeblogsjc.blogspot.com/2009/10/cronicas-de-bicicleta.html
Abs.
November 20th, 2009 at 7:51 am
Grande Vinicius…
To planejando aqui minha jornada pelo Caminho do Sol, saindo daqui de Sao Carlos. Sem querer abusar de sua paciencia e muito menos tomar se tempo, se possivel, me mande por email, o que realmente devo me ater. Tenho algumas duvidas. To ancioso pra caramba. Saiu dia 10/01…
Grande abraço
January 16th, 2010 at 4:18 pm
Hallo Vinicius , habe Deine Berichte gelesen und bin sehr erstaunt darüber, daß Du noch solche Touren unternimmst. Nina ist jetzt in Nordhausen. Ich war bis 12.Januar mit bei Ihr. Beijos Karin
January 18th, 2010 at 8:12 pm
Hi Karin!!! How are you dear? I’m so glad you came by and left me a message, even though I could not understand a word but “Nina”, “Hallo” and “Beijos”! Please tell Nina to behave herself! When are you visiting us in Brazil again? Cheers, Vinícius.
February 5th, 2010 at 12:39 pm
Queremos o décimo-sexto!
July 8th, 2010 at 12:46 pm
Grande Vinicius,
Manda mais, pô!
abs
Morelli