Rio-Chuí – Descanso duplo em Floripa
(Postado em 17/10/08, às 16:57.)Eis-nos mais ou menos a meio caminho do Chuí. Podíamos, enfim, descansar os trapos, pegar uma praia e botar ordem na casa.
As bicicletas precisavam de uma boa revisão. Rodas tortas, raios partidos, pneus remendados, verdadeiros despojos de guerra. E a lama generalizada. E as câmaras de ar e pneus sobressalentes, que não mais existiam. E a bicicleta do Fininho, com um ridículo câmbio traseiro de mountain bike, e a minha, sem o ridículo bagageiro quebrado. Estava claro que precisávamos de uma loja especializada, mas estava claro, também, que não encontraríamos uma aberta num domingo. Sem esquecer que o Fabricio tinha dormido em Balneário Camboriú e ainda pedalaria seu caminho até nós, no próprio domingo. No way, teríamos que passar a segunda-feira em Florianópolis.
Meu fim-de-semana foi, então, totalmente lua de mel, afastado da bicicleta e dos outros dois caras. A última coisa que eu queria era descansar. Foi praia o tempo todo, com direito a frescobol. (Na verdade, eu não me sentia nem um pouco cansado, estava melhor que no primeiro dia. É algo que costuma acontecer comigo em viagens de bicicleta, adoro isso.)

Suprimentos trazidos pela Bianca e o táxi abarrotado
Na manhã de segunda, acompanhei a Bianca até o aeroporto num táxi, que, além dos passageiros e suas bagagens, carregou também uma bicicleta toda espremida no banco de trás. Depois fui ao encontro da dupla dinâmica, assessorada e ciceroneada pelo mesmo Catatau, primo do Fininho, que o havia resgatado das trevas em sua chegada a Floripa. Deixamos as bicicletas na Cicle Della Giustina para o serviço completo; voltaríamos no fim da tarde para buscá-las.
O almoço foi uma seqüência de camarões na Lagoa da Conceição. Depois passamos pelas praias Mole e da Joaquina, com direito a mergulho.
No mirante do Morro da Lagoa, protagonizei uma cena bizarra: fui fotografado por dinheiro. Explico. Sob efeito dos camarões, precisava urgentemente de banheiro. O que existia, dentro de uma lojinha turística, custava R$1,00. Eu não tinha um tostão ali. Convenci a atendente da urgência da situação, e ela aceitou que eu fizesse um “pós-pago”. Refeito, ia voltando para o carro, para buscar o dinheiro, quando percebi que estava sendo fotografado, sorrateiramente, por duas gringas. Na cara de pau, fui até elas e propus uma foto com as duas, desde que elas me dessem o R$1,00 que quitaria minha dívida (expliquei toda a história). Elas aceitaram. A foto, em que se vê a mim, só de sunga, no meio de duas chicas rosadas, deve existir, imagino, num álbum qualquer de viagem, em algum lugar da Argentina. O que eu não sabia é que os outros estavam, do carro, assistindo à cena. Não foi pouca a gozação, quando voltei.
Depois de uma passada rápida em seu trabalho, Catatau nos levou a conhecer o Morro da Cruz, de cujo topo, a 285 metros de altitude, se tem uma bela vista da cidade. Confesso que, enquanto íamos de carro até o alto, voltei a pensar em bicicletas e em como seria interessante subir aquilo pedalando. Não tenho jeito.

Fininho e Pontinho no Morro da Cruz
Fomos, então, buscar as bikes. Na loja, conversando sobre nossa viagem, descobrimos que a BR-101 estava em péssimas condições ao sul de Florianópolis, devido a obras. Seriam dezenas de quilômetros sem acostamento e com tráfego em pista simples. Segundo os próprios ciclistas locais, arriscadíssimo. Pusemo-nos a procurar rota alternativa. Uma maneira seria descer até o sul da ilha e irmos de barco até o continente (a ponte que liga a parte insular de Florianópolis à sua parte continental fica na metade norte, onde estávamos). Havia também uma possibilidade meio insana, a de abandonarmos completamente o litoral e enveredarmos pelo interior de Santa Catarina, acrescentando ao trajeto original alguns quilômetros, e, à sua altimetria, uma infinidade de enormes triângulos pontiagudos. Parecia muito, muito divertido. Batemos o martelo.

Uma propagandinha, de leve, de quem nos socorreu
O dia terminou com um celular perdido. O meu. Chegávamos à Catatau House, onde passaríamos a noite, quando dei por seu sumiço. Procuramos em toda parte, e nada. Azar. A melhor parte da viagem estava para começar.
| – o álbum de fotos completo. |
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October 17th, 2008 at 4:59 pm
As fotos vêm depois, tô meio enrolado…
October 17th, 2008 at 7:03 pm
Pronto.
October 17th, 2008 at 8:39 pm
Como sempre, demais. Agora esta história de banheiro pós-pago, só podia mesmo ser na ilha da magia.
October 19th, 2008 at 3:59 pm
Mas tu é cara-de-pau rapá! Hahahaha… Essa de tungar um real das gringas pela foto foi demais. Só podia ter saído da cabeça sobra a qual urubus sobrevoam!
October 23rd, 2008 at 5:43 pm
Dá tempo de jogar xadrez nessa jornada tripla?
Abração!
Quando estiver passando pelo trópico de capricórnio dê um alô para seu amigo que está perdido aqui na terrinha da garoa…Abç
December 1st, 2008 at 11:07 pm
por favor termine esse texto… comecei a ler e não consigo parar! A melhor leitura dos últimos tempos!
December 2nd, 2008 at 1:25 pm
Quase dois meses já Xarope!