Rio-Conservatória
(Postado em 16/06/09, às 14:08.)Há tempos que o passoal da Kraft Bikes vem promovendo passeios ciclísticos. É bom para todos: para os participantes, que treinam, se divertem, conhecem lugares diferentes, fazem novas amizades e encontram todo o apoio técnico e logístico que garante um pedal confortável longe de suas casas; para o próprio pessoal da Kraft, evidentemente, que vende seus produtos, vê crescer uma massa fiel de consumidores e ainda divulga sua marca por onde passa, uma vez que a grande maioria traja uniformes completos com o nome da loja; e para o próprio comércio dos lugarejos visitados, cujos bares, hotéis e restaurantes precisam atender um mundaréu de ciclistas famintos e cansados.
O destino, desta vez, era a cidade de Conservatória, no interior do Rio, famosa por suas rodinhas de choro e serestas itinerantes. A Kraft fretou dois ônibus, que sairiam do Rio de Janeiro no domingo e retornariam, depois do pedal, no mesmo dia. Alguns dos bikers mais animados, no entanto, resolveram dispensar os ônibus e ir até lá pedalando, na véspera, dormir por lá e se juntar à excursão na manhã seguinte. Um destes era minha nova amiga Thais, a Mulher de Ciclos, talentosa com a bicicleta e com a caneta, que me chamou para ir junto.
Eu topei, mas havia um detalhe um tanto desanimador para quem, na véspera, só iria para a cama por volta da meia-noite: para não correr o risco de anoitecer na estrada, eles, que iriam de mountain-bikes, sairiam do Rio às 4h00 da manhã! Decidi, então, sair um pouco mais tarde, de speed, e alcançá-los no meio do caminho. Para isso, pedi ajuda ao imundo e miserável Fernando Padilha, o Frango, para puxar o bonde na perseguição implacável. Assim ficou combinado.
Sábado
Saímos às 7h30 da Praça da Bandeira e socamos a bota. Em torno de 85 Km depois, chegamos ao famoso Posto BR do Belvedere, na Dutra, aquele que tem o Bob’s. Até ali, nem sinal do pessoal. Frango falou: “se tivéssemos saído um pouquinho mais cedo, acho que os pegaríamos aqui”. Eu: “é verdade, eles não devem ter saído daqui há tanto tempo assim” (eu sabia que eles fariam uma pausa ali no Belvedere para lanche, e nós tínhamos ido de fato bem rápido). Telefonei para a Thais, e o que o Frango pôde ouvir de nossa conversa foi mais ou menos isso:
– Alô. Thais?
– …
– Fala! E aí?
– …
– Acabei de chegar aqui no Belvedere, cadê vocês?
– …
– Ah…
– …
– Não… tranqüilo… vem com calma…
– …
– Beleza, estou esperando vocês aqui!
Isso mesmo! Aparentemente, nós havíamos passado por eles na Dutra, sem vê-los ou sermos por eles vistos, porque eles teriam entrado num posto de gasolina, bem recuado na estrada, para trocar um pneu.
“Quantos são?”, perguntou Frango. “Sei lá, uns quatro ou cinco”, arrisquei. Dali a pouco, chegaram eles. Eram dez, ou doze, mas pareciam mais. Adoro cicloturistas, sinto falta de ser um. Suas faixas reflexivas, luzes, apitos e camelbacks são o que há de mais puro, e são definitivamente menos aborrecidos que cronômetros ou medidores de potência.
Depois de fazer um breve lanche e de se despedir da Thais, Frango voltou para casa, concluindo seu treino diferente. Eu segui com o grupo… por 8 Km! Novos problemas para meus amigos, que já contavam nas pernas uma meia dúzia de horas pedaladas: agora era uma gancheira quebrada, e mais um furo de pneu. Felizmente, deu para resolver tudo. Seguimos… por mais 8 Km! Estávamos agora no meio da Serra das Araras, e o objetivo da parada era descansar e lanchar, o que fizemos por uma boa hora.
A Sra. Araponga (Fernanda, namorada deste Araponga que vos escreve), àquela altura, já estava saindo do Rio, de carro, trazendo nossas mountain-bikes para a brincadeira de domingo. Eu gostaria imensamente de almoçar com ela em Conservatória, mas comecei a temer que não fosse chegar antes da janta. Você sabe, quanto maior o grupo, mais freqüentes os contratempos, mais propensas ficam nossas vidas a todo tipo de atraso. Expliquei, então, para o pessoal, que ia me adiantar um pouco por causa do combinado com a minha senhora e voei baixo da segunda metade das Araras até o destino do dia.
Aliás, dica de treino: entre Barra do Piraí e Ipiabas, a serra é bem bacana. Há bons trechos com 10% ou mais de inclinação, pouco descanso, rampas de 14%, coisa desse naipe. E com pouquíssimo movimento de veículos motorizados.
Cheguei a Conservatória às 15h15, 20 minutos antes da Fê, que tinha saído do Rio às 13h00. Total: 162 Km.

Fernanda e eu na Capital da Seresta: sábado, música; domingo, pedal
Às 17h40, anoiteceu. Esses lugares de serra escurecem cedo. Foi quando temi pelos amigos que tinha deixado para trás. O telefone da Thais não respondia. De fato, já tinha anoitecido para eles na estrada, e pedalar no escuro é algo que me causa imenso desconforto. Mas, segundo depois nos contaram, não houve problema algum — todos eles tinham faróis! Chegaram, realmente, vivos e intactos, pouco depois das 19h00. E felizes, e contentes, que é o que mais importa.
Domingo
Cem bicicletas num lugar lindo. Nada mau. Quase 60 Km, entre trilha e asfalto, com algumas boas subidas. A Kraft, como de costume, esteve muito bem na organização. Tudo muito direito: frutas, Guaravitas, água, carro de apoio com mecânico, até distribuição de bombom Serenata de Amor teve. Eu e Fê fomos meio que na aba, confesso.
Foram três os destinos do passeio. O primeiro foi a Ponte dos Arcos. Estilo Arcos da Lapa, toda em pedra. Subir até lá pedalando foi divertido, devia bater uns 30% de inclinação. A maioria foi andando mesmo, sem a bicicleta. Algumas tentativas frustradas de subir pedalando garantiram a diversão do momento, assim como alguns bezerrinhos que passaram, assustadíssimos, pelo meio da multidão.
O segundo destino foi uma espécie de sítio com uma lanchonete e uma bela cachoeira, onde os mais empolgados puderam se refrescar (do frio?!); o terceiro foi um alambique antigo, onde os mais alcoófilos puderam se aquecer (aí sim!) provando da cachaça que é produzida ali.

Balneário do Ronco d’Água, no Rio das Flores
Fernanda, para meu orgulho, deu na cabeça de um monte de gente, na volta. Enquanto muitos empurravam nas subidas ou pegavam carona no caminhão de apoio, ela, que estava praticamente debutando nesse tipo de aventura, pedalou o tempo todo, com raça e alegria. Na verdade, a alegria foi garantida pela Thais, que lhe havia emprestado um casaco. Foi essencial, naquele vento frio!

Fernanda e Thais Mulher de Ciclos

A parte em asfalto foi um tapete
Ficam, portanto, meus cumprimentos à equipe da Kraft Bikes, pela iniciativa, pela organização, e pela disseminação de tão saudável prática; um abraço a todos que participaram; e a dica a quantos queiram escapar da voz do Sr. Fausto Silva, aos domingos, melhorando a saúde de corpo e espírito e ainda trazendo belas fotos para casa: fique de olho nos próximos passeios dessa galera. Não tem bicicleta? Detalhe bobo, e você já sabe onde pode resolver isto.
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July 1st, 2009 at 6:20 pm
Parece que o próximo passeio desses vai ser dia 12 de Julho para Rio das Ostras.
Vamos??