Rio-Petrópolis
(Postado em 08/08/07, às 18:14.)Soube recentemente que a estrada que liga Friburgo, na região serrana do Rio, a Casemiro de Abreu, colada nas praias do norte do estado, está agora toda asfaltada e em pedalabilíssimas condições, com pouco trânsito de carros e zero de caminhões. A ausência destes últimos, ao que tudo indica, deve-se à presença de trechos com inclinação muito acentuada, o que torna a coisa ainda mais atraente. No entanto, após duas semanas sem pedalar por conta da sinusite idiota que me ficou de herança de meu último pedal serrano, e não obstante o quão atraente a idéia me soava, ainda não me sentia disposto a encarar um possível “Circuito Serra e Mar” (algo como Rio-Friburgo-Rio das Ostras-Rio), de forma que deixei para outro fim-de-semana suas promessas de inesquecibilidade.
Por ora, optei pela serra de Petrópolis para ir recuperando a forma e foi para lá que me mandei no sábado à tarde, tendo batido radicalmente meu RPDS (recorde pessoal de decisão súbita): uma única hora. A garganta de meu amigo Fabrício estava tendo uma rusga com o bichinho do ram-ram e seu dono me havia telefonado, pela manhã, desmarcando o treino do dia; dormi, então, até não poder mais e, tendo acordado sem planos e contemplado pela janela um sol convidativo, decidi partir. Planinho automático, descomplicado, pré-aprovado, é só usar. Sessenta minutos e já estava na rua de mala, cuia e pernitos para mais uma daqueles esticões treino-turístico-terapêuticos.
Dessa vez fui de mountain bike e levei mochila. A idéia era dormir em Petrópolis e, matando dois coelhos, encontrar-me na manhã seguinte com o Jesus das Selvas e os Profetas Sobre Rodas (ou como quer que venha a se chamar o grupo) para mais um divertido ensejo de pintar meia dúzia de bicicletas em degradês de genuíno marrom-cocô (ou para uma trilha fantástica, como preferimos chamar). O ponto de encontro seria para os lados de Itaipava, então dormir em Petrópolis me soava, além de tudo, logisticamente interessante.
Com poucos minutos de pedal, dei uma fugida do caminho e passei na casa do Marcos, meu amigo de outros carnavais e outras crônicas. Acabei filando um oportuno almoço e ficando um tempo por lá para uma não menos oportuna conversa. Só às 14h que comecei de verdade o pedal do dia e, sem dificuldades ou acontecimentos dignos de nota nos primeiros quarenta e poucos quilômetros, cheguei à base da serra. Seria a primeira vez que eu a subiria de bicicleta.
A mochila levava quase somente um agasalho e um par de pneus de cravos — que substituiriam, na trilha de domingo, os pneus lisos da viagem de sábado –, portanto não estava pesada e não me causou qualquer sofrimento perceptível.
Verdade seja dita, é uma subida engraçada, aquela. São vinte quilômetros inteiros para cima, mas a inclinação é tão tranqüila que você fica se perguntando quando é que vai começar de verdade. Mas ela nunca chega a fazê-lo, e é meio como mágica que você de repente se percebe num lugar muito alto de onde vê tudo em miniatura lá embaixo. A paisagem, esta é linda demais; sem dúvida entre as mais belas do Rio.
Petrópolis, a cidade, é tão interessante quanto seu principal acesso. Ô lugar pra ser charmoso! Pedalar por aquelas ruas ainda tranqüilas e transpirando História pode ser bem emocionante, principalmente se você estiver no clima certo. Com pressa, apertado num nó de gravata ou engarrafado atrás de um volante não parece situação muito convidativa a apreciações urbanísticas; ter subido a serra pedalando e estar prestes a passar a noite em mais um hotel com reminiscências de tempos muito idos, por outro lado, ajuda a se sentir contemplativo, leve, como que sobrevoando aquilo tudo — o clima certo.
Foi bom. O jantar incluído. A conversa com aquele simpático casal de coroas — moradores da Barra da Tijuca, quase meus vizinhos dadas as circunstâncias, que tinham ido assistir ao Festival de Luz e Sombras do Museu Imperial e que só acreditaram na minha história quando viram as fotos — incluída.
Deitei-me às 22h e algo curioso aconteceu: acordei às 2h, no meio da noite, sem sono algum. Fiquei ouvindo música e pensando na vida até às 6h30, quando finalmente levantei. Tomei café, arrumei minhas coisas e parti; tinha uma trilha me esperando. E amigos, que são coisa ainda melhor do que bicicleta.
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August 9th, 2007 at 1:06 pm
Como sempre muito legal Vinícius, a única coisa que sinto falta, é não poder ver as fotos ampliadas. Fotos tão bem tiradas, as vezes da vontade de ver maior. Se tivesse como você colocar tipo “click em cima e abre” seria bem legal !!!!
O Cronicas esta nos meus favoritos, sempre passo para ver as novidades.
Forte abraço.
August 9th, 2007 at 1:58 pm
Grande idéia, vou fazer isso agora, o clique-e-amplie! Abração!
August 9th, 2007 at 3:09 pm
Feito! Depois farei o mesmo nas demais crônicas. E nas próximas, com certeza! Obrigado, bpinheiro, pela dica.
August 9th, 2007 at 4:52 pm
Perfeito !!!!
August 9th, 2007 at 11:52 pm
Vinicius ainda nao nos conhecemos pois estou um pouco sumido. Mas com certeza pedalaremos juntos pois sou amigo do Rodrigo e do Tuninho.
Show esta sua organizaçao. Tudo que um Bike quer. Sabado programamos um pedal na Serra do Piloto emMangaratiba. Ligue para o Rodigo. Te mais.
August 10th, 2007 at 10:42 am
Ah, esqueci de mencionar !!! De prioridade as fotos da Europa !!!! Muitas são dignas de ser fundo de tela !!!! [:D]
August 10th, 2007 at 11:02 am
Josué: Esse fds não irei com vocês, mas ainda pedalaremos muito juntos. O grupo tá muito bom. Ajuda lá a escolher o nome.
Bpinheiro: OK, tá anotado! Já tá saindo! Abração.
November 21st, 2007 at 4:13 pm
Oi Vinicius!Descobri por acaso a sua cronica e achei muito bacana.De vez em quando vou dar uma visitada para acompanhar suas aventuras.Ah sim!!Eu to procurando informacoes sobre uma certa trilha da serra do facao ,que me parece,uniria Petropolis a Pati do alferes.Sera que vc teria alguma dica a esse respeito.De antemao agradeco e parabens novamente.Abraco.
April 29th, 2008 at 8:15 pm
Olá meu nome e Jairo estive com vocês numa pedalada subindo a serra de Petrópolis, conheçi vocês através do André, gostaria de ter mais informações das pedaladas que vocês estão fazendo, ja que o André deu uma parada e desanimou talvez possa ser de vez e não quer pedalar mais, pelo menos comigo não sei com vocês, gostaria de ter um contato com vocês para continuar pedalando junto com vocês. se você não se lenbrar de mim e so olhar na foto do dia 11/08/2007, se der entre em contato comigo meu cel e 021 87366564 deixe mensagem ou fale diretamente comigo, um abraço e espero em breve pedalarmos novamente.