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A vingança do mendigo

(Postado em 13/12/09, às 13:36.)

Este ano resolveram colocar aqueles presépios gigantes no Aterro. Os bonecos são bonitos, bem feitos. Ocorre que, à noite, para quem ainda não sabe que eles estão ali, podem ser meio assustadores.

Há alguns dias, nosso amigo Chester — ave tão natalina, diga-se de passagem, quanto o presépio em questão — vinha em sua bicicleta a varar o denso breu da madrugada, quando, avistando ao longe um rei mago e um carneiro, pensou “meu Deus, que mendigão”! Parece que já teria, inclusive, atravessado para o outro lado da pista, intimidado pela imponência do que seria um baita mendigo barbudo e seu cachorro, quando percebeu a confusão.

Durante o treino de hoje, passamos em frente aos bonecos. À luz do dia, só pudemos rir do dantesco da cena protagonizada e narrada pela ave parruda. Depois de algumas voltas despretensiosas em ritmo geriátrico, eu, Papagaio, Chester, Galinha e o filho pródigo Frangão (que treinou conosco depois de exatamente um ano) paramos para bater umas fotos com o menino Jesus no colo de Maria. Mas tanta foi a gozação por conta do episódio do mendigão (o tal rei mago — ou seria José?), que o improvável, o inverossímil, o verdadeiramente bizarro aconteceu: o mendigão ganhou vida!

Pois estávamos nos preparando para a foto coletiva, a alguns passos do barbudo em questão, embora sem tocá-lo, quando um vento forte, surgido absolutamente do nada, um sopro de Deus, derrubou o imenso boneco bem em cima da gente! “Mendigo é o c…”, teria dito.

Onde o perdão, senhores? Onde o dar a outra face? Por muito pouco não levei na cara uma mendigada de ferro e isopor pintado! O santo, porém, fracassado em sua tentativa de lavar a sangue sua honra, e vitimado por sua própria ira auto-destrutiva, prostrou-se ao chão com um pé amputado e algumas fraturas expostas. Muito bem feito!

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Últimas fotos de um rei mago

Recuperados do susto e das gargalhadas, em vão tentamos ressuscitá-lo. Seu martírio lhe comprometera demais o equilíbrio. O pior foi explicar aos guardas recém-surgidos que não tínhamos vandalizado o presépio, mas que estávamos, sim, tentando consertá-lo.

No final, quem nos fitou de um jeito estranho foi o carneiro. Chester voltou para casa sem muita certeza de querer passar por ali novamente. Não sozinho. Não de madrugada.

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Mendigão, Araponga, Papagaio, Chester, Maria, menino Jesus, Galinha, Frangão, José e o cachorro


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6 comentários em “A vingança do mendigo”

  1. Alessandro diz:

    No meio de tanta ave e de tanto santo esqueceram a Ave Maria!

  2. vigusmao diz:

    Huahuahuahuahuahuahuhauhaua! Sensacional!

  3. Papagaio diz:

    Como diariam os paulistas… Rachei o bico! Lembrar do Chester contando a estória, lembrar do ocorrido e ler a crônica foi demais! Muita maneira!

  4. Alessandro diz:

    Vinícius, são santos de Itu??? Olha o tamanho deles!!! Imagino o susto que o Chester deve ter tomado, ainda mais ele que em épocas natalinas é um tanto quanto cobiçado…

  5. Lu diz:

    Hey, brow.
    Santos de isopor voar com o vento, beleza, mas de FERRO e isopor?! Acho que o Mendigão não era, não, parte do presépio.
    Beijunda.

  6. Alessandro diz:

    Pô!!! Entendi, tá tudo claro como água!!!

    O mendigo é uma mensagem subliminar do inconsciente coletivo mobilizado pela canalização da necessidade nutricional dos desprovidos. Ou seja, é assombração do Pedal sem Fome!!! :D

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