Bike Tour de Vassouras
(Postado em 01/04/09, às 19:03.)Às 6h00 de domingo, três carros da Granja Bike Rio saíram do Rio com destino a Vassouras, no interior do estado. Mas não carregavam lindas e esbeltas bicicletas de estrada, como de costume, e sim parrudas e grotescas bicicletas de montanha, verdadeiros tratores em duas rodas. A competição, dessa vez, seria no meio do mato, quiçá do pântano, e esse era o único tipo de montaria possível.
Codorna, Araponga (eu), Slarf (Sabiá-Laranjeira Alienígena, Rei das Festinhas), Galinha Velha, Pombo e Pato, eis o conteúdo vivo daqueles carros. Não esquecendo da menina Pomba, que também estava presente para cuidar de seu maldito marido. Ah, nada como a Granja reunida para mais uma aventura!
Paramos para um café numa localidade extremamente aprazível, mas cujo nome me foge, entre Japeri e Miguel Pereira. Araponga e Slarf estavam especialmente ansiosos: seria sua primeira competição de mountain-bike.
As criaturas, no ponto de encontro tradicional do Posto BR…

…e depois do café no meio do caminho
Em Vassouras, apressamo-nos para retirar o numeral que deveria ser afixado no guidom da bicicleta. Galinha estava tenso porque não tinha feito ainda sua inscrição. Felizmente, conseguiu se inscrever ali mesmo, minutos antes da largada, pagando a módica taxa de R$20,00. A seguir, fizemos os últimos acertos e alinhamo-nos para o começo da prova.

A Granja, na Largada do Bike Tour
Competição de mountain-bike lembra até videogame, quando você passa para uma nova fase e não faz idéia do que vem pela frente. Verdadeira caixa de surpresas. É manada de boi no meio do caminho, é barro, é grama, é paralelepípedo, é asfalto, é vala, é pedra solta, é terra fofa, é raiz, é lama-estilo-areia-movediça, é estradão, é single track, é merda de vaca, é ultrapassagem no meio do mato, é criançada da roça gritando desesperada de emoção, é descida de despencar, é subida absurdamente inclinada brotando do nada, é paisagem incrível o tempo todo, é cheiro de mato, flor, orvalho, cocô.
Não é monótono, em momento algum. Você não relaxa. E é tanta gente que você nunca está sozinho, o que só faz aumentar a sensação de estarem você e sua bicicleta metidos naquela espécie de videogame de coisas reais: você fica cem porcento do tempo ultrapassando e sendo ultrapassado, a ação não tem fim. Divertidaço.
Impressiona a sucessão de novidades. A cada curva, uma mudança de cenário, de chão, de inclinação, de companhia. Sim, porque tem aqueles que descem como loucos; tem os que empurram nas subidas; tem os que caem de cara no meio da lama; tem os que aceleram convicta e repentinamente, quais campeões mundiais recém-libertos de amarras invisíveis, apenas para se renderem, humilhados pela Natureza, na curva seguinte; tem os transtornados, os incomodados; tem os reclamões; tem os orgulhosos, que disputam cada milímetro com unhas e dentes, como se não houvesse mato para todos; tem os que inventam caminhos alternativos e se dão mal; tem os que inventam caminhos alternativos e se dão bem; tem os que calculam a superação dos obstáculos com tanta perfeição que você nem acredita (meu Deus, como o cara consegue?). É muita gente, mas, ao contrário do que acontece no Ciclismo, quase não há pelotões. É cada um por si, e ataque o tempo todo.
Às vezes, mais parece um trem-fantasma de parque. Muitos perigos, você não tem como fugir. Pague para entrar, reze para sair. Tem que ir em frente, não vai amarelar ali no meio da floresta. E, indo em frente, é um perigo (de trem-fantasma) atrás do outro. E os perigos meio que irmanam os competidores. Todo mundo tem que passar pela mesma piscina de lama, todo mundo pára até que a boiada (de boi, mesmo, muuu) resolva dar licença e abrir passagem, todo mundo pensa o mesmo “agora ferrou de vez” quando atravessa a areia movediça, todo mundo vai em frente junto. É a Confraria dos Enlameados, pura festa.
Depois de provar tão variado cardápio de emoções, passar sob a Linha de Chegada é acabar o passeio no trem sinistro, é vencer a fase final do jogo, é ter vontade de começar tudo de novo.
O Bike Tour de Vassouras foi tudo isso, sem tirar nem pôr. Havia tempos que vinte reais não pagavam tanta adrenalina.
PS.: No final, os competidores enfrentam a fila da mangueira. Lavar a bicicleta e a si próprio é absolutamente necessário. Ali, na fila da mangueira, é onde são contadas todas as histórias, desfiadas todas as desculpas esfarrapadas e fanfarroneados todos os feitos incríveis. Você conversa com desconhecidos, que ali são seus iguais, seus irmãos de guerra. Não dá para não participar. Nem para tirar o sorriso do rosto!

A imundície e o banho, após a prova
PS.2: Slarf conseguiu cair 5 vezes! Eu caí apenas uma, após ficar completamente zerado de freios, mas tive que me haver, também, com o desanimador evento de um pneu furado. Pombo, Codorna e Pato, experientes, fecharam a prova sem grandes dificuldades, e fazendo bonito. Mas quem ciscou, ciscou, e apenas por muito pouco deixou de bicar o cantinho do pódio foi o Galinha: ficou em 6º lugar em sua categoria. Parabéns, seu mendigão!
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April 1st, 2009 at 8:12 pm
E ai vinicius!! isso que é um cara articulado, ficaram muito bem com a lama em cima.Valeu parabéns!! abs Claudio.
April 2nd, 2009 at 10:45 pm
Muito bom o relato. Me senti lá em Vassouras, apesar de não ter ido.
Normalmente a gente se pergunta no meio das provas que maluquice é fazer tudo isto! Mas como vocês descreveram, quando terminamos já estamos fazendo plano para as próximas.
Vou passar este texto para vários amigos! Excelente!!!!!!!!!!!!!!!!!!
April 6th, 2009 at 5:23 pm
É filho…..rsss…show de bola. Só faltou conhecer a USS, onde trabalho, e o Hipólito (a melhor cominda de Vassouras). Parabéns a todos do seu grupo.
April 16th, 2009 at 11:22 am
ADOREI o relato… Texto bem escrito, frases curtas e de efeito, glossário de termos próprios, apelidos grotescos, um toque de surrealismo, humor negro. Taí, tava cansada de procurar outro brogue ciclístico para me divertir… Finalmente achei!!!
December 2nd, 2009 at 7:05 pm
O máximo… adoro as coisas que voce escreve! Parabéns…
February 10th, 2010 at 8:58 pm
o texto ficou muito bom!
pode anotar na sua agenda, 18/4 bike tur 2010!!!
abraço