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Chuva não quebra osso

(Postado em 05/10/07, às 16:58.)

Cinco amigos combinaram um encontro na praia, às 8h da manhã, para um treino de corrida.

Um treino de corrida pode ser pouco mais que um pretexto para sair da inércia, ver os amigos e o mar, e, de quebra, curtir sem culpa o coquetel de adrenalina, endorfina e outras drogas pesadas que são despejadas no sangue durante e depois de atividades físicas intensas. Mas era mais do que isso: era coisa séria. Os cinco amigos, sabe-se lá por que cargas d’água, haviam decidido treinar para correr uma maratona. Plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho e… corra uma maratona! Nesse estilo.

O ponto de encontro era o Posto 10, no Recreio. Os cinco amigos estavam animados. Eu era um deles, e iria de bicicleta.

Chovia, na manhã de sábado. Chuva é o tipo da coisa contra a qual não adianta lutar. Quantos programas já não foram literalmente por água abaixo apenas porque São Pedro estava de mau humor? Tudo combinado, pensado, organizado. Cai a chuva, mela tudo. E o Plano B quase sempre é o Plano Ficar Em Casa Maldizendo o Tempo, todo mundo sabe como é. Por isso decidi ir, mesmo debaixo d’água.

“Com essa chuva, é claro que não vai ninguém. Mas pedalo uns bons quilômetros, mudo de ares, faço uma foto da bicicleta encostada no Posto 10 — para com ela tirar sarro dos medrosos-d’água — e volto para casa satisfeito, contente e molhado”. Pensando assim, dirigi-me ao local, sem pressa alguma. Cheguei dez minutos depois da hora combinada, e… estavam todos lá: Léo Almeida, Léo Gomes, Bruno, Sômulo, e mais toda uma turma de diletantes desconhecidos (até então), chefiados pelo professor Alberto Campos. Eu disse que o negócio era sério… onde é que eu fui me meter!

Mas precisava me apressar, que o aquecimento já tinha começado. Retirei a roda dianteira da bicicleta, guardei bicicleta e roda no carro do Léo Gomes, troquei de roupa e juntei-me ao grupo.

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Praião sem sol

A corrida começou em ritmo tranqüilo. A chuva já tinha sido substituída por um clima ideal, sem frio, calor ou sol na cara. Aos poucos, o grupo fragmentou-se em grupetos. Mantive-me, a muito custo, com o pelotão (de cinco pessoas!) da frente, durante os 16 Km do percurso de ida e volta do Recreio a Grumari. Saí-me bem nas subidas; a parte em que mais penei foi a dos planíssimos quilômetros finais, quando o grupo desembestou numa velocidade de cão.

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Os ogros Bruno, Sômulo, Léo Almeida e eu

Uma hora e meia depois, com o grupão reunido, ouvimos explicações sobre o trabalho do treinador, sobre as próximas competições e sobre a necessidade de prestarmos muita atenção à biomecânica perfeita do Bruno, que o professor não parou de exaltar — e que foi depois motivo de muita gozação, é claro.

Gostei muito do grupo, do treinador e dos abacaxis que nos foram oferecidos, no final. Gostei mais ainda do mergulho que dei, com o Sr. Biomecânica, no mar gelado.

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Os Léos, Mr. Biomecânica e a simpática provedora de abacaxis :-)

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Pegando a bike para partir

Depois de tudo aquilo, eu não estava muito para conversas, tinha muito sábado pela frente. Fiz algumas fotos, dei um abraço na rapaziada e voltei para casa, completando 60 Km de pedal no dia. E, apesar da chuva, sem qualquer sinal de fratura no corpo ou na alma. Apenas feliz — e com uma bolha engraçada no pé.

Veja também:
– o álbum de fotos completo.


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10 comentários em “Chuva não quebra osso”

  1. Sr. Biomecanica diz:

    Ah! Vc achou q nego ia amarelar com medinho de chuva?! Aqueles desprovidos de razao e bom senso a ponto de correr 16 km de pirambeiras, nao se importariam com uma chuvinha.

  2. Nanah Gomes diz:

    Vocês são loucos de pedra… Queria estar por aí para me enveredar nessa loucura sadia, tentar vencer o tempo que me desmonta, e gozar dessas drogas “naturais”.
    Desejo sorte e sucesso nas empreitadas.
    Abração a todos.
    Anaeldes
    Nanah

  3. Leo Gomes diz:

    Domingo tem mais! Equipe “eu sou um ogro” detonando :)

  4. Alessandro diz:

    Chuva + óleo (invisível por conta da primeira) já me custaram 30 dias parado, sendo que 20 dos quais grudando nos lençóis durante a noite por conta dos machucados gosmentos. Fora umas cicatrizes que eu não ligo muito, mas que estão lá, e umas dores por um bom tempo depois. Então se chover eu não saio pra pedalar. Só abro exceção se a chuva me pegar no caminho, e ainda assim pra retornar.

    E pensar que antes disso eu GOSTAVA de pedalar na chuva!!!

  5. vigusmao diz:

    Aí, Alê, já vi que teu negócio é chão, mesmo, hein!… :-)

  6. Alessandro diz:

    Putz, nem me diga… Esse não foi tão dolorido (nada de dores posteriores) mas os ralados foram bem piores, porque deslizei bem uns 20 ou 30 metros. E quase (por poucos segundos) fui atropelado na sequência, pois uma van passou na mesma poça de óleo, perdeu a direção, subiu na calçada e abraçou um poste, passando exatamente onde eu estava antes de me levantar!

    Sério mesmo, eu CURTIA pedalar na chuva… Depois dos tombos, e também de pensar que a água que vai na nossa cara tem lá sua cota de desmijos e descagos caninos, felinos e camundonguinos… :(

  7. Baiano diz:

    O Sr. Pernito surtou de vez hahahaha Na speed minhas experiências com chuva sempre foram recheadas de sustos! Mas no mtb pedalar com chuva é quase digno da perfeição! hehehe

    Agora só falta os treinos de travessia dos fortes e aí tá pronto para virar um Iron! rs…

    P.S. Esse feriado deve ter uma surpresa lá no pedal.

  8. Leitor Risonho diz:

    E aí, meu filho!

    Muito bacana a crônica, mas senti falta de uma descrição um pouco mais detalhada sobre as beleza naturais típicas do lugar… (IYKWIM) =o)

    P.s.: roubei um polenguinho teu, tá valendo?

  9. Iara de Sa Paula santos Patussi diz:

    Boa Vinícius, treininho de corrida.
    Próximo ano na meia-maratona do Rio o Caldeira que se cuide rsrsrs!
    Como fala o Baiano e considerando tua natação a meta será Ironman 2008, por aqui já iniciaran-se os treinos. (O Márcio já está como um Leão).
    Abração
    Eduardo

  10. Clovis Mendonça dos santos diz:

    Bem, gostei do site.
    Parabéns.
    Abraços.

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