Férias
(Postado em 12/03/11, às 1:11.)Nos últimos meses, tenho recebido e-mails de leitores saudosos de meus textos. Bondade deles, evidentemente, mas, de qualquer forma, suas palavras me levaram a rabiscar esta resposta-explicação. Que começa com um agradecimento sincero: valeu mesmo!
Sei que muitas pessoas curtiam as crônicas. Eu era uma delas. Mas sabe aquela cena do Forrest Gump onde o sujeito, após dias e dias correndo pelas estradas como um doido, resolve, do nada, parar? Simplesmente para, e pronto. Vai fazer outras coisas.
Mais ou menos isso. Há fases, momentos, ciclos. Às vezes estamos muito empolgados por alguma atividade, às vezes nem tanto. Ou queremos simplesmente mudar de assunto, experimentar. Sou daqueles sujeitos hiperativos, que fazem mil coisas ao mesmo tempo, e nada tão bem assim. Se, por um lado, ter um leque amplo faz com a vida nunca seja monótona, insossa ou rotineira, atividades e interesses em excesso acabam por vezes se sobrepondo de uma maneira um tanto quanto caótica. A conseqüência é que algumas coisas são deixadas de lado.
A boa notícia é que quase sempre voltamos ao que fazíamos, se gostávamos mesmo daquilo. E podem ter certeza: era o caso. Outro dia mesmo encontrei imenso prazer ao sentar para escrever o final do relato do Rio-Chuí. Não está pronto, mas qualquer hora sai. E, de repente, tão do nada quanto tirei férias como cronista diletante, volto a escrever de maneira regular.
No mais, está tudo bem. Continuo pedalando. Na verdade, tenho pedalado como nunca. Pensando bem, acho que comecei a pedalar tanto — tanto! — que o ritmo da escrita simplesmente não poderia acompanhar a demanda. Então, por sentir que tantas histórias fantásticas permaneceriam não-contadas, ou mal contadas, dei uma desanimada. Sim, pode ter sido isso. Besteira, claro. Mas não exatamente escolhemos nossas motivações, escolhemos? Não adianta a gente querer querer. (Não é erro, foi o que quis dizer.)
Sim, num rápido retrospecto, vejo que são muitas as histórias que teriam rendido boas narrativas. Se Nietzsche estiver certo em sua teoria da eterna recorrência, acho que não me arrependerei de refazê-las todas pela eternidade: Ironman Brasil, Caminho da Fé, Caminho da Luz, pedal solitário de Nice a Roma, pedal solitário em Portugal, várias conferências a que compareci (sou professor) munido da bicicleta para explorar os arredores antes do nascer do sol, as aventuras com o pessoal da Granja, a noite dos trezentos quilômetros debaixo de chuva, as competições, os primeiros pódios, e por aí vai. Sinceramente, eu até espero que Nietzsche esteja certo!

Eterna recorrência?
Valeu demais pela força, pessoal. Vocês não imaginam o quanto fiquei contente com esse feedback. Não desistam. Qualquer hora os feeds de vocês voltam a pipocar.
Abraço em cada um.
Vinícius

March 14th, 2011 at 8:21 am
O feed pipcou mesmo, e fiquei muito feliz em saber que dessa vez não foi bug!
March 14th, 2011 at 9:38 pm
Ai meu amigo não sabe a minha felicidade tc com vc no facebook e vc me dizer que voltou a escrever a segunda coisa que vc faz melhor a primeira é pedalar treinando então…abraços amigo fico aqui ansioso pelos próximos relatos.
March 24th, 2011 at 7:50 pm
Agora sim!
Volte que seus textos são fantásticos!
June 18th, 2011 at 8:57 pm
Você tá proibido de parar de escreve.Como vou viver sem os seus textos?
Cara você tem talento, não joga fora o que voçê sabe fazer de bom.
September 22nd, 2011 at 1:01 pm
Pô me sinto muito orgulhoso de fazer parte do circulo de amizades do Vinicius….realmente seus relatos são fantásticos, escreve e transmite exatamente a emoção do pedal.
Além de ser um parceiro de grandes treinos e pedaladas.
Está sempre disposto, seja pra onde e como for, de speed ou MTB…
Abraço grande
Condor da Granja.
October 4th, 2011 at 9:02 am
Noel voltará ao Cronicas !!! EU GARANTO !!!!