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Rancho São Jorge Bike Resort

(Postado em 13/08/07, às 19:43.)

O ponto de encontro ficava na Rodovia Washington Luís, entre Petrópolis e Itaipava. Saí cedo de Petrópolis, onde dormira após o mini-treino solitário da véspera, e pedalei até lá. O restante do grupo, que viria do Rio de carro, chegou ao lugar combinado antes de mim, o que me fez pedalar bem forte pelos quinze quilômetros de uma subida leve. Acontece que tínhamos subestimado tanto a distância quanto o aclive que me aguardavam e eu, além de ter saído do hotel mais tarde do que gostaria por conta do horário preguiçoso do café-da-manhã, tinha subestimado, de minha parte, a pontualidade do grupo. Por isso tive que correr.

Coincidência foi que um amigo do Rio estava justamente voltando de Itaipava, de carro, naquela manhã, e me viu subindo o viaduto de Bingen. Diz ele que me reconheceu pelo ritmo frenético em que o indivíduo marretava os pedais de uma mountain-bike com bagageiro de canote. Sim, era eu envergonhado por me fazer esperar!

Os carros foram estacionados no tal do Cindacta I, o que quer que seja isso que ainda não consegui descobrir em minha ignorância extrema. O que importa é que, depois de substituídos meus pneus slicks de asfalto pelos cravudos que eu trazia na mochila e de penarmos um pouco com umas bombas-de-ar muquiranas, deu-se a trilha por iniciada.

Éramos seis: eu, Lander (vulgo Paiasso, vulgo Jungle Jesus), Tuninho e Rodrigão, personagens que vocês conhecem de outras histórias, mais Leandro e Dudu, que pedalavam conosco pela primeira vez. A trilha saía ali do tal Cindacta e ia até Miguel Pereira, que é um dos vários lugares da região serrana fluminense que jactam-se de possuir o primeiro ou segundo melhor clima do planeta.

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O grupo, na parte ainda pavimentada…

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…e o fotógrafo, que quase nunca aparece nas fotos!

De fato é muito bom o clima em toda a região, e bom era também o clima no grupo, sendo aproveitadas todas as oportunidades para piadas e exclamações de cunho solucionático (”tá cansado? Fica em casa vendo TV!”), incrédulo-antropológico (”e tem gente que não gosta!”) e mentiroso-motivacional (”vambora, tá acabando”, no primeiro dos quatro quilômetros da subida).

A propósito dessa recém-formada fraternidade ciclística, que tem crescido e se reunido com boa regularidade para trilhas sempre divertidas e artério-desopilantes, está em andamento uma votação para a escolha de um nome. Minhas sugestões (”TUCLA - Tuninho e os Ciclistas da Lama Agreste”, “JAPA - Jesus e os Apóstolos Pedalantes do Apocalipse” e outras soluções quetais) foram consideradas toscas demais, complicadas demais ou ambas, e ao que tudo indica estamos rumando para algo mais mnemônico como “Bicicleta-RJ”.

O sol, que me fizera deixar no carro divino o casaco, sumiu de uma hora para a outra e deu lugar ao frio e à neblina. Esta era tanta que nos impedia de curtir a fantástica vista que alegadamente se tem lá de cima. E também de enxergar muito mais que alguns palmos à frente, em alguns trechos, o que só deixou tudo muito mais divertido.

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Tenebroso

Numa clareira, no meio do nada, havia uma cruz, aparentemente espetada ali por participantes ou propagandistas de uma tal Caminhada Franciscana. O Paiasso, é claro, se sentiu em casa e foi se pendurar na cruz.

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Paiassada na cruz dos outros

Depois desse vívido surto de nostalgia, foram as bicicletas que valeram-se do respeitável madeiro para fazer graça na foto.

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Com todo o respeito

São apenas 4 Km quilômetros de subida, num aclive de 300 metros. Depois é descida até o fim. Só que, fora de brincadeira, em termos de esforço puro e simples a trilha equivale a cinqüenta ou mais quilômetros no asfalto plano, dada a irregularidade do piso.

Chegamos a cruzar a divisa entre os municípios de Petrópolis e Miguel Pereira. Não fomos, no entanto, até o final da trilha, que fica já nas proximidades da área urbana do Segundo Clima do Planeta. Nosso destino era a casa de um grande amigo do Tuninho, o Marcão, misto de visionário e eremita que, há dois anos, abandonou as atribulações da cidade grande para viver no meio do mato com Flávia, sua esposa. Casa não é exatamente o termo; melhor seria sítio. Melhor seria reino — o lugar é imenso.

Tomando um atalho para percebermos a real importância de tudo isso em nossa história e em nossos ciclísticos interesses, faço saber que nosso revolucionário e invejável amigo tem planos de transformar suas terras em uma espécie de bike resort, um lugar com trilhas, pistas de downhill, facilidades para limpeza, estacionamento e reparos de bicicletas e, mais importante, comodidades e distrações para esposas e crianças. Além disso, a idéia é oferecer também algo como um albergue que permita o pernoite dos bikers, servindo de ponto de apoio a cicloviagens ou trilhas mais longas. Se por tudo isso for cobrado um preço condizente com os bolsos tipicamente apertados dos ciclistas e simpatizantes — e este é o plano –, não há por que não dar certo.

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Bicicletas no Rancho São Jorge

O caminho, na volta, estaria bem enlameado, graças à chuva que não se fez de rogada. Jesus e eu fomos os primeiros a nos despedir do casal de futuros donos do já batizado “Rancho São Jorge Bike Resort”, pois cedo precisávamos estar de volta no Rio para um evento fantasticamente nada-a-ver: o chá-de-panelas de uma irmã casadoira. Bom motivo para fazermos a trilha da volta em ritmo de corrida. Tanto quanto o permitiram nossas pernas.

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Foto de divulgação do Bicicleta-RJ, ou como quer que venha a se chamar

Veja também:
– o mapa e os números da trilha;
– o álbum de fotos completo.


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5 comentários em “Rancho São Jorge Bike Resort”

  1. Jungle jesus diz:

    Sobre a cronica em si …. hahaha … sem comentarios. Jah quanto ao mapa e aos numeros: um espetaculo. Jah pensou acumular - e nesse padrao - um monte assim, indo apenas uma vez ao lugar? Soh de ler, o cara pode chegar lah pela primeira vez, mas quase q com o cabedal de um desses lendarios-matuto-nativos-criados na regiao. Jah tah valendo pra qq coisa q venha a se firmar futuramente. Legal pacas. Amplexos.

  2. Alessandro diz:

    HEREGEEEEES!!!!! kkkkkk… Preciso conhecer o Jungle Jesus, rs… Aliás preciso conhecer todo mundo aí, tem jeito de ser totalmente malucos! Mais um pra turma, pode ser? Mesmo que à distância? rs…

  3. Cida diz:

    Tenebrosa neblina: Senhor os Aros I

  4. Cida diz:

    Corrigindo: Senhor dos Aros I

  5. Carlos Gustavo Kersten diz:

    Maravilha !!!!!!!
    Otimas fotos, grande texto e principalmente ….. uma paixao desmedida pela bicicleta. Espero em breve pedalar com vc. e seus parceiros.

    Um grande abraço

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