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Trilha em Maricá

(Postado em 20/01/10, às 17:16.)

Já entendi que tem coisas que só acontecem no mountain bike.

Como pode… você olhar a distância percorrida em horas de pedal, e o mostrador, funcionando perfeitamente, não estar marcando nem 20 Km!? No mountain bike, pode.

Como pode… você se perder num caminho que já fez várias vezes, com amigos que já o fizeram várias vezes, e acabar voltando tudo sem ter chegado ao destino, achando que estava no caminho errado, apenas para descobrir depois que o caminho estava, na verdade, certo, e você tinha chegado quase lá!? No mountain bike, pode.

Como pode… você treinar ao lado de alguém que está vestindo uma camiseta regata verde de algodão? No mountain bike, pode.

Como pode… você pedir informações e ouvir coisas como “depois que você passar por uns bodes, dobre à direita no segundo cavalo”!? No mountain bike, pode.

Como pode… você preferir desmontar e empurrar a bicicleta… numa descida!? No mountain bike, pode.

Como pode… você usar relação 22×34 e achar pesado!? No mountain bike, pode.

Como pode… você penar para acompanhar os mesmos amigos que, no asfalto, sofrem para acompanhar você!? No mountain bike, pode.

Como pode… você cair feio em plena descida e não sofrer nada mais grave que uns arranhões bobos, quase indolores!? No mountain bike, pode.

Como pode… a namorada caloura, porém raçuda, de seu amigo experiente, porém gordo, deixar o amigo para trás num trecho técnico!? No mountain bike, pode.

Como pode… você conversar com Jesus sem rezar!? No mountain bike, …

Como pode… você sair para treinar com uma câmara fotográfica dependurada no guidom!? No mountain bike

Como pode… você se livrar daqueles incômodos estalidos metálicos causados pelo ressecamento do canote dentro do seat tube, usando sua caramanhola para borrifar água com maltodextrina!? No mountain

Como pode… você tentar o suicídio descendo algo com visíveis 100% de inclinação, e falhar, para contar a história!? No…

Como pode… você ser o primeiro a saber que seu grande amigo vai se casar, apenas porque a noiva dele precisava desabafar alguma coisa para alguém depois de um tombo!?…

Concordo. Sei que tudo isso é um bocado estranho. O leitor coça o queixo. É caso de cofiar o bigode, se tiver um. São situações descabidas, sem nexo, deveriam inclusive ser proibidas. Mas não são! No mountain bike, pode! A lista poderia prosseguir ad infinitum, e os itens acima são apenas alguns dos que aconteceram no treino de hoje, em Maricá. Os personagens: Pato e Codorna, os experientes, os perdidos, os que tentaram o suicídio; Araponga, o inexperiente, o fotógrafo, o caidor alegre; Chester, o empurrador de descidas; Bunda e Amanda, os noivos; cavalo José, o marco da estrada.

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Chester, Amanda e Bunda

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Pato e Codorna

O dia já começou atrapalhado quando, na ida para Maricá, me desgarrei dos outros três carros do comboio após o pedágio da Ponte Rio-Niterói. Distraído, peguei caminho diferente do deles, mas achando que sabia para onde ia. Na verdade, eu sabia ir para onde eu achava que deveria ir. Mas fui para um lugar muito distante do início da trilha, onde deixaríamos os carros, e me fiz esperar um bocado. Pode ser que tenha sido um mal entendido envolvendo as palavras “serra” e “Itaipuaçu”, mas tenho a ligeira impressão de que me pregaram um trote!

Comemos sanduíches na padaria local e começamos. A trilha ia tranqüila até me convencerem a subir certa parede, cheia de pedras e valas. Não funcionou. Tentei várias vezes. Nada. Falta-me algo que não sei o que é. Talvez talento, porque Pato e Codorna a subiram várias vezes, fazendo parecer fácil. Para meu consolo, Chester e Bunda nem tentaram!

Para além da subida frustrante, a trilha encrespou, e foi só com muita raça que Amanda se manteve firme adiante, empurrando em alguns trechos, pedalando em outros. Coitada, seu imundo futuro marido a ludibriou com a velha ladainha da “trilha leve”. Se era leve, por que ele sofreu tanto? Sofreu sim, que eu vi! Bunda, senhores, é o cara que vê Jesus em trilhas terríveis, e com ele se comunica. O mais interessante é que o Mestre quase sempre lhe diz: “Cada qual com suas dificuldades, meu bom moço! Não quisestes vir? Suportai agora e bem-aventurado sereis!” Uma versão, digamos, bíblica para o popular “Bem feito! Cada um com seus problemas! Te vira!” — Bunda merece.

Daí nos perdemos. Não sabíamos se era para ir, para voltar, para virar para um lado ou para o outro. Então íamos um pouco, voltávamos um pouco, ficavam uns, seguiam outros. E nada de Coca-Cola gelada, que era o prêmio pelo qual todos ansiávamos. E que, alegadamente, estaria nos esperando no fim de uma das mil possíveis subidas que levariam a um cume de onde certo tipo de loucos salta de parapente.

Como somos de outro tipo, não nos atiramos de alturas insanas, mas nos atiramos morro abaixo sobre duas rodas. Houve uns tombinhos. O meu me ralou um pouco, mas foi bom para eu aprender que araponga não é pato. Se não sei fazer, não devo tentar imitar quem sabe. Amanda caiu algumas vezes, também, mas foi tudo culpa do Bunda, evidentemente, que lhe deu conselhos errados. Dir-se-ia maldosos (”vem descendo, é tranqüilo, basta você ir controlando”… pof!), se não soubéssemos que ele é louco por ela. Aliás, Bunda deve ter ficado louco com ela, hoje, porque ela, em sua estréia, já teve que esperá-lo em vários momentos! Sim, sim, sim!

Enfim conseguimos nossa Coca-Cola. Não no morro do parapente, mas na birosca da sinuca. Uma birosca no meio do nada, que se achou no direito de cobrar R$5,50 por uma garrafa do precioso líquido. Se bem que, naquele sol, poderiam ter cobrado R$20,00. Mau gerente.

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Miragem?

Tudo acabou na mais santa paz, com promessas de novas e divertidas trilhas com essa galera boa. Codorna quer voltar lá para acertar o caminho, questão de honra, prometendo que da próxima vez levará na mochila um bretele e uma camisa de ciclismo, e não dois breteles! Pato também quer voltar, depois do próximo upgrade que deixará sua bicicleta 3 gramas mais leve. Chester quer se vingar de Codorna e Pato no próximo treino, no asfalto. Bunda quer se desculpar com Amanda, “eu não sabia, benzinho”. Amanda não decidiu se quer matar Bunda, casar com ele ou vender sua bicicleta. Eu quero é tirar uma soneca, porque tem 30 quilômetros que valem por 100!

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A Granja em Maricá

маси и столове

Veja também:

– o álbum de fotos completo.


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12 comentários em “Trilha em Maricá”

  1. Codorna diz:

    …huahuahua, a foto da coca-cola ficou muito foda, muito bom o relato, parabens!!!

    ABS

    Codorna

  2. GALINHA VELHA diz:

    MUITO BACANA… MTB É MUITO FOOOODAAAA… !!!! SHOW O COMENTÁRIO ARAPA…

    ABS, GALINHA.

  3. nelson amorim diz:

    Araponga, belo relato cara.

    trilha e passeios muito maneiro, queria muito ter ido tb, na proxima to dentro hein!!!

    valeu e abraço a todos pela trilha irada>

    condor

  4. Satoshi diz:

    A “miragem” foi a melhor parte! hahaha

  5. wiliam diz:

    muito maneiro o site de vcs show o relato e as historias do que pode no mtb
    parabens

  6. Ramiro Junior diz:

    Fala Vinícius,

    Cara,posso colocar esse texto no meu blog,claro que citarei o site e a autoria…

    Muito bom mesmo seus relatos,como sempre…

    Grande abraço…

    Ramiro.

  7. Ramiro Junior diz:

    O end do meu blog é http://www.bikeblogsjc.blogspot.com

    Abs.

    Ramiro.

  8. CARNEIRO diz:

    No mountain bike pode muito mais do que imaginamos, pq temos liberdade, quando achamos q estamos só, é um bom momento para pensarmos em Deus, então veremos q ele sempre esteve do nosso lado. Más ñ podemos esquecer que ele sempre esteve ali… Nós que ñ prestamos a devida ATENÇÃO………..

  9. RENATO CUNHA diz:

    Bom dia Vinicíus.
    obrigado por ter tirado as fotos lá em aparecida! realmente você me salvou.
    seu site é meneirisimo, e seus relatos demonstram uma verdadeira paixão pelo ciclismo. parabéns! quando puder, mande as fotos para mim.
    valeu mesmo

  10. Sammyr - Gama - DF diz:

    Muito bom o relato…
    Já passei por várias histórias parecidas
    Como pode… No mountain bike, pode.
    Abraços

  11. Renata Loureiro diz:

    Excelente relato! Me diverti só em imaginar as situações!
    Já estive nessa trilha e concordo q existem coisas que só o Mountain Bike tem…rs…por isso q gosto tanto dessas ciladas!

    Parabéns pelo blog! Muito bom.

    Abraços

  12. Mulher de Ciclos diz:

    Me escangalhando aqui de tanto rir… Claro, para fechar o post, sua brilhante conclusão: “Amanda não decidiu se quer matar Bunda, casar com ele ou vender sua bicicleta”.

    Será que dá pra fazer as três coisas? Quem sabe?! Afinal, no MTB, tudo pode!!! hehehe Beijos e parabéns pelo texto, fantástico. :-D

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