O começo de tudo
(Postado em 03/09/08, às 20:11.)O Pedal Sem Fome está de férias. Quer dizer, eu e o Marcos estamos de férias do Pedal Sem Fome. É uma pena, eu sei, mas agora moramos a 30 Km um do outro, não é tão simples. Jeito tem, é só o caso de conseguirmos nos reorganizar para voltar à ativa. A boa notícia é que, desde março deste ano, o movimento conta com novos participantes, e anda a pleno vapor. O grupo tem, inclusive, um blog. Dêem uma olhada!
A propósito, estava fazendo uma faxina no computador, quando encontrei o primeiro texto que escrevi sobre o PSF, em novembro de 2006, quando o Crônicas sequer existia.
Aí vai.
…
Duas bicicletas, duas mochilas, dez sanduíches de presunto, três litros de guaraná natural e dois ciclistas malucos: começava o “Plano Ciclístico Essa Noite Meu Irmão Não Dorme Com Fome”, ou “Projeto Bikers Saradões Delivery da Madrugada”, ou como quer que você queira chamar.
Fome. A gente não sabe o que é isso. Nada que se pareça com aquela sensação que temos entre as refeições. Fome é aquilo a que a pessoa se acostuma, tendo o corpo à míngua e alquebrada a alma. Fome de tudo, de comida, de afeto, de atenção, fome. E a gente, que tudo come e tudo tem, não pode fazer nada?
Eu teorizo sobre ser bom e fazer o bem há tanto tempo quanto meu amigo Marcos, o outro ciclista maluco da meia-noite. Mas fazer alguma coisa, de verdade, só muito de vez em quando. Não somos maus, mas não somos bons. Mais ou menos como você, é capaz.
Eu poderia dizer que, dessa vez, tínhamos resolvido finalmente fazer alguma coisa, que nosso lado filantrópico falou mais alto que a preguiça, o medo e todas as outras desculpas (para cruzar os braços) juntas, mas a verdade é que mais alto o que falou mesmo foi a vontade de andar de bicicleta; de jogarmos conversa fora, amigos que não mais têm o tempo de outros tempos para ignorar o relógio, o telefone, as contas a pagar; que hoje roubam às esposas e filhos, clientes e patrões as raras chances de ficar à tôa, de tocar um violão aleatório, de fazer nada. Pois então, motivo tínhamos. Andar de bicicleta noite adentro? São loucos? Que nada, vamos para um trabalho voluntário.
Muito bem, eu estaria igualmente faltando com a verdade se disse que inexistia um desejo genuíno de ajudar o próximo. Mas não tanto assim, não a ponto de evitar que, minutos antes da hora combinada, viesse à tona uma baita vontade de deixar aquela idéia maluca para lá. Já fazia dias que havíamos programado aquilo. Mas na hora, mesmo, do vamos-ver, ficou um de cada lado torcendo para que o outro esquecesse, estivesse com dor de dente ou recebesse uma visita inesperada da sogra ou do sono.
Por alguma razão, nenhum dos dois desistiu. E, quando vimos, já estávamos juntos e prontos para a ação. Foi então que meu pneu traseiro resolveu furar, bem na hora da partida. Mas foi só trocar o pneu, pronto. E esta foi a última vez em que a vontade de desistir passou pela minha cabeça. A partir daí, e mais forte que antes, a briga estava comprada. Iríamos de qualquer jeito!
E fomos. E vimos. E vencemos. A preguiça. O medo. A noite. A fome de algumas pessoas, por algumas horas.
Como foi? Incrível.
Mas não quero convencer ninguém a nada, nem dar tapinhas em nossas próprias costas. Quero mesmo é convidá-lo a vir junto, se você não for daqueles que recusam uma bela chance de dormir leve e satisfeito a cada sete dias.
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Fica, ainda, o convite, pessoal. Passem lá no pedalsemfome.wordpress.com e vejam o belo trabalho deles.
Abraços em todos,
Vinícius.
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September 9th, 2008 at 9:46 am
Porra, Vinicius… Achei o texto de uma sinceridade tocante.
Não é fácil assumir que começamos um projeto nem tanto pelo lado humanitário, e sim pelo fato de possibilitar fazer algo de que se gosta (no caso, pedalar).
Não é preciso que sejamos de uma fé e dedicação Franciscanas para se fazer o bem, abdicando de todo e qualquer prazer para tanto. E se o álibi para ajudar o próximo for aliarmos a isso nosso hobbie, nosso lazer, ora, porque não?
October 9th, 2008 at 2:39 pm
Mais de um mês sem novidades aqui! Vou organizar uma manifestação!
October 9th, 2008 at 8:30 pm
Pô, galera, tô revisando e organizando os textos na forma de um livro. (Não espalhem!)
Vinícius.