Copa VO2-Caloi 2
(Postado em 03/12/08, às 12:47.)A contagem regressiva começa com meses de antecedência. Fazer inscrição, traçar meta, intensificar treino, postar mensagens, acirrar rivalidades, reservar hotel, definir transporte, ajustar bike, combinar encontros, pegar câmera, arrumar mala, partir. Partir para um fim-de-semana completamente revigorante, entre amigos e mil bicicletas. E com uma linha de Largada e uma de Chegada separadas por uma convidativa e verdejante serra. Fique claro que a verdejante serra só é convidativa se você faz o tipo masoquista, pois são quinze exigentes e ininterruptos quilômetros ladeira acima. Não é brincadeira de criança.
A subida em questão fica a 150 Km da capital paulista e é a “estrada velha” que liga Santo Antônio do Pinhal a Campos do Jordão. O chamado Desafio de Campos, etapa da Copa VO2-Caloi, está em sua quarta edição e já virou um clássico. Desta vez, irmanados pela recém-confeccionada camisa com as cores do grupo, os ciclistas do fórum do Pedal.com.br podiam ser vistos por toda a parte. Amizades novas e antigas que se encontram para jogar conversa fora, esquecer os problemas, respirar novos ares e descansar da vida. E subir o tal morro, tem esse detalhe. Completar é questão de honra; para muitos, o objetivo em si. Os mais experientes tentam baixar seus próprios tempos e se posicionar mais perto do topo na disputadíssima Classificação Geral interna do Pedal.
A primeira decisão mais séria a se tomar é quanto a se hospedar em Pinhal, junto à Largada, ou em Campos, próximo à Chegada. Para os que preferem curtir um fim-de-semana romântico com suas namoradas ou esposas (ou namorados-maridos, que a presença feminina entre os inscritos na prova é cada vez mais significativa), Campos oferece o agito noturno, as muitas opções de compras e os jantares à luz de velas. No domingo, o Dia D, o esquema é acordar cedo e descer pedalando os 20 Km da “estrada nova”, que é o caminho mais curto entre as duas cidades. É em Campos, também, que é feita a entrega dos kits na véspera, ocasião em que a galera já começa a se entreolhar e a tentar adivinhar quem serão seus alvos ou algozes. Para os que optam por dormir em Pinhal, em cujo centro não deve haver muito mais que dois ou três quarteirões, a Largada está sempre a poucos passos da pousada escolhida. Em contrapartida, ao final da prova, os extenuados atletas precisam encarar todo o caminho da volta antes do desejado encontro com o chuveiro e o prato de comida.
As boas histórias já começam, portanto, no sábado, quando a rapaziada se encontra, numa ou noutra cidade. Há rumores, por exemplo, de que uns oito ou dez Pedaleiros famintos teriam ocupado as últimas cadeiras de um restaurante em Pinhal, cuja dona, desesperada com a razão entre o número de bocas dos esfomeados e o de bocas de seus fogões, avisou que a comida estaria pronta em não menos que uma hora e meia! Foi quando o garçom, sensibilizado pela urgência da fome alheia, recolheu os cardápios e decretou: “É pizza!”
A largada, dessa vez, foi pontual, e às 9h00 em ponto punha-se em movimento o imenso pelotão. Até o começo da subida principal há várias ondulações menores, que já espalham um pouco a manada, e algumas curvas perigosas, que mais assustam a manada do que lhe causam propriamente problemas. Mas há sempre um ou outro acidente ou quase. Num desses quase-acidentes, houve um ser que deixou cair dos bolsos da camisa seu celular e sua carteira de identidade, para deles sentir falta apenas no final. O inusitado foi tê-los encontrado, várias horas depois, como resultado de sua frenética e desesperada busca.
Ao longo do caminho, alguns postos de hidratação distribuem caramanholas com água, que, depois de vazias, tornam-se objetos de disputa da garotada à beira da estrada. A garrafinha, tio, a garrafinha.
No final do prato principal que é a estrada velha, entra-se na parte urbana de Campos. Vêm, então, de sobremesa, os trechos mais inclinados do percurso, com umas rampas que não raro suscitam cãibras e chamadas de mãe. O bom é que tem tanta gente inscrita que, por pior ou melhor que seja seu desempenho, você nunca estará sozinho na estrada. Como, para os mais competitivos, ganhar de um sujeito no sprint final já pode valer o dia, haverá sempre um alvo, ou algoz, que lhe faça dar aquele gás a mais.
De uma forma ou de outra, a grande maioria sobrevive e chega ao final com aquela sensação boa que só sabe quem fez. Medalha no peito, hora de cumprimentar os amigos. E de contar e ouvir as milhares de ladainhas e choramingos que explicam o porquê de o cronômetro não lhes ter feito plena justiça. É a melhor parte. Caiu minha corrente, um cara quase me derrubou, furou meu pneu dezoito vezes e eu só tinha desessete câmaras, tive uma cãibra inexplicável na panturrilha, o pelotão não me esperou, marcaram meu tempo errado, estou cansado por ter ido ontem ao batizado do meu sobrinho, não acostumei ainda com esses pneus, aquela rampa maligna estava mais inclinada que na vez passada, a pizza (é pizza!) não desceu redonda, tive insônia, estou sem treino por causa de uma cárie — atire a primeira pedra quem nunca mandou uma dessas.
O importante é que todo mundo se diverte, e se reúne no final, e estreita amizades, e eterniza numa foto os sorrisos que vêm da alma. E depois tem o almoço, e mais histórias são contadas, e as pernas estão em frangalhos, e ainda há quem conheça a mulher da sua vida, mãe dos seus filhos, num momento desses, e os garçons não entendem de onde vem tanta alegria.
Mas como toda história chega ao fim, os amigos se despedem e voltam para casa com suas medalhas e lembranças. É quando começa a contagem regressiva para a próxima.

Parte da galera do Pedal, depois da prova
PS.: Parabéns ao Alex Diniz, o grande tetracampeão da prova. E a seu chará, nosso Alex_SP, o grande tetracampeão da disputa interna do Pedal.
| – o álbum de fotos completo. |
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December 3rd, 2008 at 1:29 pm
É PIZZA! É PIZZA! Muito bom o relato, mas como todo relato, nunca é igual à emoção de ter vivido, de verdade, ao vivo, o que aconteceu… Apenas quem esteve lá sabe como é arrepiante o clima da largada, e como são emocionantes os sprints da chegada!!!
Vinícius Murcha, em abril estarei lá de novo, mas desta vez para subir pedalando! O projeto Copa VO2 2009 começou essa semana para mim… pena que fiquei com febre… o stress no trabalho aumentou… meu bico-de-papagaio voltou a doer… meu hamster morreu… fui ao velório do irmão-da-prima-do-vizinho-da-empregada-da-tia-elenice-lembra-dela?-aquela-que-casou-com-seu-professor… o dólar subiu… a bolsa caiu… e não pude treinar ainda!
December 3rd, 2008 at 1:47 pm
Espetacular o relato. Aliado a isso, existem os contos da viajem de volta. A Ópera em Mar del Plata, a tal da… esqueci, a aula de Fisiologia, o Dartagna esperando com o rabinho abanado…hahah No próximo ano estarei lá com certeza. E um viva! pro imundo que inventou a bicicleta!!!!
December 3rd, 2008 at 3:34 pm
UAAAUUUUUU ,,,,, FICOU MUIITO BOM MESMO,,, digno da realidade de se viver os momentos que antecedem , o durante e pos corrida,, de fato, parabens pelo seu relato
December 19th, 2008 at 12:51 am
A contagem regressiva começa com meses de antecedência, mas o convite vem na véspera… ahahahaha – Adoro implicar…
Parabéns por mais este desafio!!!
January 27th, 2009 at 3:43 pm
Parabéns às “aves e outros bichos” do ciclismo, que, com suas aventuras, em tão poucos anos de vida, fazem-nos pensar que não haverá coisa melhor prá viverem, que lhes vá trazer maior satisfação que essas vitórias sobre os desafios que se impõe, simplesmente pelo prazer de crescer naquilo de que gostam.Dá impressão que esse crescimento, vai se lhes sedimentando os saberes outros da vida profissional ou emocionais, pelas atividades, tão especialmente, individuais, do vencimento de seus próprios limites, mas, tão sociais pelo grupão em que acontecem.
Independentemente das conquistas de medalhas, de títulos, prá mim, vocês já são campeões.
Saúde longa, belos exemplos de como conciliar vida saudável com trabalho árduo e de bem-sucedidas vidas, são o patrimônio, que certamente, estão legando aos familiares e amigos, e ainda de quebra, revelam-se talentos literários e outros que vão nos deleitar dessa maneira.
Parabéns a todos e um grande abraço!
January 31st, 2009 at 7:34 pm
Olá arapa,
muito bacana seu relato dessa sua prova/aventura inesquecivel!!!!
vi o web site sem querer e gostei de ver um cara conhecido relatando um a prova tao importante, do nosso calendario…..parabens…a vc e todo o grupo e inclusive ao miseravel e fraco pelicano hhahahahah
Nelson Condor
March 8th, 2009 at 6:37 pm
Olá companheiros do Pedal sou de São Bernardo do Campo e assim como vocês minha bike dorme no meu quarto,rsrsr,,,alguns amigos junto comigo praticamos este sensacional,emocionante e extasiante esporte á alguns anos e esta será a primeira participação nossa na VO2,vendo as fotos e os comentários de vocês me imagino aí no meio provocando,brincando e fazendo um peguinha no final da prova e é claro que depois muitas mentirinhas e umas pizzas também,mas eu gostaria de saber se existe a possibilidade de adquirir-mos as roupas da turma assim como participar-mos juntos,,somos aqui em 4 amigos,,agradeço a atenção e seja qual for a vossa resposta nos encontraremos por lá,,até abs
March 31st, 2009 at 8:07 am
Alguém sabe me dizer quando começa as inscrições (1ª etapa/09)?
March 31st, 2009 at 11:23 am
Leandro, não haverá etapa em Campos do Jordão agora nesse começo de ano. Só em novembro de 2009, agora…
April 1st, 2009 at 7:52 am
Não acredito!! tem uma programação na revista indicando dia 26/abr e estou treinando feito louco..rsrs
Obrigado!!
April 11th, 2009 at 1:00 pm
Putz grila !!! Na revista está 26/Abr no calendário… fui esse fim-de-semana lá treinar na Serra e quer dizer que não vai ter prova ????? Pô, agora que estava pegando firme nesse trem, fiquei totalmente sem objetivo… Alguém sabe me dizer se acontecerá alguma prova “de montanha” em data mais próxima ? Falou !!! ( Já vou cancelar a revisão que tinha agendado pra semana que vem…)
September 15th, 2010 at 10:20 pm
E MASSA!